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Montenegro em queda nas sondagens e em terra de ninguém

Observador ·
Montenegro em queda nas sondagens e em terra de ninguém

Luís Montenegro entrou numa rampa deslizante — resta saber se a queda é ou não irreversível. O social-democrata é primeiro-ministro há sensivelmente 30 meses e, nesse período de tempo, já foi testado em exatamente 101 sondagens. Mesmo com uma vitória eleitoral pelo meio, que reforçou o número de deputados da Aliança Democrática, Montenegro já apareceu 35 vezes em segundo ou mesmo em terceiro lugar nas intenções de voto. Uma tendência, de resto, que se tem vindo a agudizar ao longo de 2026. E esse é, de longe, o dado mais negativo para o primeiro-ministro.

Existe um dado inevitável que influencia decisivamente toda e qualquer análise que se possa fazer: um primeiro-ministro cai sempre em sondagens antes de recuperar e vencer. Dito isto, o conjunto de sondagens realizadas no último ano não esconde uma evidência: a crescente insatisfação com o rumo do país está a moldar as intenções de voto. Entre janeiro e setembro, fizeram-se 19 estudos de opinião e Luís Montenegro apareceu 18 vezes fora da liderança destacada. Afinando ainda mais o critério, é possível concluir que o atual primeiro-ministro já soma sete sondagens em terceiro lugar e todas ao longo deste ano — algo que nunca aconteceu a um primeiro-ministro em funções e que representa bem a incerteza introduzida pelo surgimento de André Ventura .

Esta é uma das principais conclusões a retirar de um estudo do Observador feito com a colaboração de Ricardo Reis , economista e diretor do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica entre 2019 e 2025. Na prática, foi feita uma análise a todas as sondagens feitas em Portugal sobre intenções de voto em eleições legislativas desde 1979 até 2026 . A partir dessa base de dados, construída de raiz por Ricardo Reis com base em mais de 1000 sondagens , foi possível perceber, com recurso a ferramentas de inteligência artificial, como se comportaram todos os chefes de Governo em estudos de opinião desde o momento da vitória eleitoral até ao fim de ciclo.

No caso concreto de Luís Montenegro, existem duas formas de olhar para o desempenho do social-democrata: a partir do copo meio-cheio e a partir do copo meio-vazio . No primeiro caso, e é isso que nos diz o padrão identificado desde a consolidação da democracia, (praticamente) todos os chefes de Governo que se recandidataram em eleições legislativas experimentam uma queda das intenções de voto e depois começam a recuperar à medida que as eleições se aproximam. Ou seja, é possível dizer que Montenegro está muito mal nas sondagens, mas é justo observar que é bastante possível que venha a recuperar o suficiente para vencer as próximas eleições.

“Em Portugal, os primeiros seis meses de um governo não trazem qualquer empurrão: a sondagem está, em média, exatamente ao nível do resultado eleitoral; nem acima, nem abaixo. A queda, quando acontece, começa quase logo a seguir. A segunda constante é uma recuperação consistente no último ano antes de cada eleição — tipicamente entre 5 a 6 pontos percentuais.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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