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Oura Ring acusado em tribunal de “adivinhar” as fases do sono dos utilizadores

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Oura Ring acusado em tribunal de “adivinhar” as fases do sono dos utilizadores

Uma ação coletiva recentemente apresentada acusa a Oura de vender "adivinhação disfarçada de ciência". Segundo a queixa, o popular anel inteligente não tem sensores para medir o que realmente define as fases do sono, e os seus modelos de Inteligência Artificial (IA) estariam apenas a "adivinhar" resultados.

A Oura tornou-se um dos nomes mais conhecidos no mundo dos wearables de saúde, prometendo aos utilizadores uma análise detalhada do sono , desde o tempo em sono profundo até às fases REM. Contudo, agora, essa promessa está a ser posta em causa em tribunal.

No dia 20 de agosto, a Clarkson Law Firm apresentou uma ação coletiva no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia contra a Oura Health, em nome da consumidora Madison Surber .

Segundo a queixa, Surber comprou um Oura Ring 4 Gold por 513,68 dólares , em maio de 2025, confiando nas alegações de marketing da marca sobre a precisão do dispositivo.

O argumento central do processo defende que, para determinar com rigor as fases do sono, é necessário medir atividade elétrica cerebral, movimentos oculares e tónus muscular , sinais que só são captados através de elétrodos no couro cabeludo, sensores nos olhos e no queixo, como acontece nos exames de polissonografia em laboratório.

Segundo a queixa, um anel usado no dedo não consegue captar nenhum destes sinais .

Em vez disso, a Oura baseia-se em sinais indiretos , como a frequência cardíaca, temperatura da pele, movimento e, nos modelos mais recentes, oxigenação do sangue, que são depois processados por modelos de IA para "adivinhar" em que fase do sono o utilizador se encontra.

No documento pode ler-se que os modelos de IA da Oura estão a fazer guess work (em português, "trabalho de adivinhação") a partir de dados impróprios, tirando partido de consumidores preocupados com a sua saúde ao vender "inferência de IA duvidosa como se fosse ciência fiável".

A ação cita um estudo publicado em 2025 na Scientific Reports , conduzido num hospital universitário com 45 participantes, que concluiu que a precisão da Oura na identificação das quatro fases do sono foi de apenas 53,18% .

Ainda assim, a Oura continua a promover-se com mensagens como "construída para garantir precisão" e "precisão inigualável", tendo já apontado taxas de precisão de 79% e, mais recentemente, de 95% face a laboratórios clínicos de sono.

De ressalvar que a queixa não ataca todas as funcionalidades do anel, com a medição de temperatura ou de frequência cardíaca, por exemplo, a não serem postas em causa. O foco está nas alegações sobre a deteção exata das fases do sono .

Contactada pela imprensa, a Oura garantiu que continua a "defender a sua ciência, investigação e alegações de precisão ", e assegurou estar empenhada em "comunicar claramente o que a Oura mede, o que estima, e como os utilizadores devem interpretar essa informação".

A empresa afirma ainda que vai contestar o processo "no fórum legal apropriado".

Para contexto, este caso surge numa altura particularmente sensível para a Oura que, avaliada em 11 mil milhões de dólares, já deu os primeiros passos formais para entrar na bolsa .

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em pplware.sapo.pt — o conteúdo pertence a Pplware.

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