Julgamento de José Sócrates adiado. "Abriu o teatro do absurdo", diz antigo PM
"O que é que eu posso dizer? Isto é um absurdo, abriu o teatro do absurdo".
Foi assim que José Sócrates reagiu, à saída do Campus de Justiça, em Lisboa, ao adiamento da sessão em que seria julgado por branqueamento de capitais.
A audiência chegou a ser iniciada , nesta segunda-feira, 19 de outubro, mas apenas para que o juiz-presidente do coletivo, Rúben Vieira, anunciasse a transferência para 30 de outubro.
"O juiz declarou a sessão aberta e depois declarou-a fechada", disse o antigo primeiro-ministro aos jornalistas.
"Isto é uma violência e um arbítrio absolutamente nunca visto.
Alguém falava em direitos... isto não tem a ver só com direitos, tem a ver com garantias do Estado" , completou.
O motivo do adiamento é para que o tribunal possa decidir questões prévias que podem pôr em causa a realização do julgamento.
A decisão foi anunciada na sequência de dois requerimentos apresentados na sexta-feira, 16 de outubro, pela defesa de José Sócrates, sobre os quais o Ministério Público pediu um prazo de três dias para se pronunciar.
"Por que foram apresentados apenas na sexta? Porque o Dr.
Filipe Batista só é meu advogado a partir de terça, portanto ele só subscreveu esses requerimentos, só teve dois dias para fazer isso ", explicou José Sócrates sobre a entrega dos pedidos.
O que dizem os requerimentos? Neste processo, que resultou da decisão instrutória do processo Operação Marquês, datada de 2021, é ainda arguido o empresário Carlos Santos Silva, igualmente por branqueamento de capitais.
Em causa está a alegada utilização pelos arguidos, entre 2011 e 2014, de contas bancárias de uma sociedade controlada pelo empresário Carlos Santos Silva, da mulher deste e do motorista de José Sócrates para que entrassem na esfera do antigo primeiro-ministro verbas com origem ilícita.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), datada de 2017, o empresário terá sido um dos testas-de-ferro a quem o chefe de Governo entre 2005 e 2011 terá recorrido para ocultar montantes com os quais terá sido corrompido para beneficiar o Grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e o empreendimento de luxo de Vale do Lobo.
A defesa de José Sócrates alega que estes factos já estão a ser analisados no âmbito de outro julgamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.