ERC abre procedimento à invasão da Rádio Universidade de Coimbra
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) abriu um procedimento para averiguar a entrada de um grupo de elementos do Chega nos estúdios da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), durante uma emissão em direto, na segunda-feira, 12 de outubro.
A comitiva era liderada pelas deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro e a emissão foi interrompida depois de Rita Matias ter tentado intervir através de um dos microfones do estúdio.
O episódio ocorreu durante a estreia do programa de debate político «Ampulheta», que reunia representantes das juventudes partidárias com assento parlamentar.
A ERC vai analisar os acontecimentos, num caso que levanta questões relacionadas com a liberdade de programação e de informação dos órgãos de comunicação social.
A abertura do procedimento não significa que o regulador tenha concluído pela existência de uma infração.
Trata-se de uma fase de averiguação destinada a analisar os factos e a determinar se existe matéria que justifique uma intervenção no âmbito das competências da entidade.
A entrada da comitiva ocorreu num contexto de conflito entre o partido e a Associação Académica de Coimbra (AAC).
Em fevereiro, uma assembleia magna da associação aprovou uma deliberação que impede a participação presencial do Chega em eventos da AAC e a entrada de elementos do partido nas suas instalações.
Para permitir a participação no debate, a RUC tinha convidado o Chega a intervir remotamente.
O partido recusou o formato proposto, tendo comunicado que não estaria presente na emissão de estreia por incompatibilidade de horários, segundo a rádio.
Na manhã de segunda-feira, Rita Matias e Madalena Cordeiro entraram no estúdio acompanhadas por outros militantes e apoiantes.
A emissão prosseguiu inicialmente, mas foi interrompida quando Rita Matias tentou falar a partir do microfone de um representante da Iniciativa Liberal.
Segundo a RUC, as deputadas recusaram-se depois a abandonar o estúdio, apesar dos pedidos nesse sentido, e permaneceram no local até à chegada da Polícia de Segurança Pública (PSP), pelas 09h55.
Rita Matias justificou a iniciativa com a oposição do partido ao formato de participação à distância, que considerou não garantir igualdade de circunstâncias no debate.
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