"Dor é aquilo que o paciente diz que sente." E ocupa um e...
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"Quando alguém desenvolve dor crónica, a doença não fica apenas naquela pessoa. Espalha-se pela família, pela rotina, pela relação, pela forma como o dia começa e acaba. A dor passa a morar conosco." As palavras foram escritas por Marisa Soares, uma das nossas convidadas hoje, num artigo de opinião publicado na seção Dor do Observador. A vida de Marisa e da família mudou quando o marido teve um acidente de trabalho, mas já falaremos disso e da resistência física e emocional dos cuidadores de pessoas com dor crónica. Eu sou a Cláudia Pinto e este é o podcast Conversas sobre Dor. Comigo tenho hoje duas convidadas: Patrícia Pinto, psicóloga no AcompanhaDor, o programa de dor crónica do P5, centro de medicina digital da Escola de Medicina da Universidade do Minho e psicóloga clínica e da saúde dos hospitais do grupo Trofa Saúde. E Marisa Soares, de quem já falámos. A Marisa é, além de cuidadora do marido, enfermeira especialista em enfermagem de saúde mental e psiquiátrica. Obrigada a ambas por aceitarem o nosso convite.
Obrigada pelo convite e os meus parabéns ao Observador por esta iniciativa. Sim, obrigada. Obrigada pelo convite e pela oportunidade de podermos estar aqui hoje.
Marisa, começo por si. O Nuno, seu marido, teve um acidente de trabalho em 2015. Depois disso, vieram os tratamentos, bloqueios e uma cirurgia. E depois veio também uma rotina nova e diferente. O que mudou na prática?
Se calhar interessa dizer que a história dura 10 anos. Isto foi de 10 anos para cá e durante este tempo nunca foi sempre a mesma coisa. Houve momentos que foram determinadas coisas e depois houve outras. Eu acho que o que mudou, mudou sobretudo a maneira de estarmos. Ele próprio, em nós, lá em casa e nas várias vertentes da vida, na vida profissional do Nuno, na vida pessoal do Nuno, na nossa vida pessoal do casal, na relação com os filhos, na relação com os outros. Tudo mudou e tivemos todos que nos adaptar a isto. Portanto, eu acho que houve um momento, logo no início, quando tudo aconteceu e o acidente, e não sabíamos bem do que estamos a falar e qual era a questão da dor dele e por que isso não passava, que andámos muito tempo em modo de sobrevivência, à procura de respostas, à procura de tratamentos. "Tem que melhorar, tem que voltar tudo ao normal, por que isto não passa?" E isto durou muito tempo. Eu diria três anos, se calhar. Nesta busca incessante, da qual fiz parte muito tempo também e muito vigorosamente, parte desta busca de voltar à vida normal.
Foi o tempo que esteve em casa também e o tempo que depois muitos exames e muitas consultas e várias especialidades e não se percebia bem o que é que estava a acontecer. E portanto, demorou-se o seu tempo. E eu própria, hoje olhando para trás, também percebo que eu insisti muito também nesta procura de resposta, de soluções. "Por que isto está a acontecer? Tem que haver uma solução." E acho que isto também colidia um bocado com a minha profissão, mas se calhar já vamos falar sobre isso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.