EUA traíram a Ucrânia? "Trump nunca mereceu confiança"
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Donald Trump volta a mudar de posição e agora vê Vladimir Putin como um aliado. Zelenskyy sente-se traído e a Europa volta a lidar com a mudança de humores do presidente norte-americano. Na Arábia Saudita, escalou a tensão e há imagens violentas de ataques a aeroportos. No Brasil, aquece a campanha a uma semana da segunda volta presidencial e em território africano, Ceuta teve nos últimos dias uma visita marcante do rei de Espanha. São temas em destaque nos diferentes pontos do globo e também na edição desta semana do Cinco Continentes, o programa de análise do historiador Bruno Cardoso Reis. Eu sou Miguel Cordeiro, comigo já está o Bruno. Bem-vindo a mais um episódio.
Vamos começar pela América. Na verdade, é um tema que afeta muito a Europa e se formos a ver bem, pode afetar várias economias pelo globo. O acordo entre os Estados Unidos da América e a Rússia, isso estalou no fim de semana passado, Donald Trump a anunciar um cessar-fogo energético, a impor esse cessar-fogo à Ucrânia, Zelenskyy a sentir-se um pouco desiludido, nós já lá vamos. Vamos a este acordo que existe sobre combustível. Será que isto tem alguma coisa a ver com Trump enfrentar descontentamento a poucas semanas dessas eleições intercalares?
Sim, eu acho que é realmente a explicação. Não é a única explicação, ou seja, é verdade que a Rússia é um exportador de combustíveis importante, mas o impacto que teve no mercado dos combustíveis foi, sobretudo, no período inicial da guerra e, portanto, o mercado já se tinha ajustado e ajustou-se até com relativa facilidade. Em particular porque, e é isso que ajuda a explicar porque é que realmente a principal explicação e o principal problema é a guerra entre o Irão e os Estados Unidos e o impacto disso em toda aquela região do Golfo Pérsico, do Golfo Arábico, é que realmente essa região não só de longe é a que mais exporta combustível pro resto do mundo, são entre 20 e 25% do mercado global de combustíveis. Tem uma capacidade de refinação também extraordinária, portanto, de transformar em múltiplos produtos e basicamente não há nenhuma região do mundo que produza tanto, que refine tanto e com tanta variedade de produtos petrolíferos. E sobretudo, ainda tem um terceiro aspecto que é a Arábia Saudita, basicamente cava-se um poço e sai petróleo. É um petróleo extremamente fácil de extrair, muito barato de extrair e fácil também de refinar. E a Arábia Saudita tem uma enorme capacidade de produção e de refinação sobrante. Também tem imenso capital, imenso dinheiro, e portanto, pode se dar ao luxo realmente ter ali uma enorme margem para aumentar ou reduzir a produção e a refinação. Basicamente, no fundo, é a válvula de escape, é o mecanismo de segurança do mercado petrolífero a nível global. Se a Rússia deixa de conseguir exportar ou passa a ter sanções ou tem as refinarias bombardeadas, a Arábia Saudita, com muita facilidade, podia aumentar a produção, aumentar a refinação, compensar essa demanda. Isso não existe em nenhuma outra parte do mundo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.