O que falta às empresas portuguesas para ganhar escala? As ‘lições’ da Fábrica 2030
O que falta às empresas portuguesas para passarem de exportadoras competitivas a grupos com escala internacional? Foi esta a pergunta que orientou a Fábrica 2030 , conferência anual do ECO dedicada à indústria, à competitividade e ao crescimento empresarial , que aconteceu na sede da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), no Porto.
“Sobressalto” nas empresas e “vai e vem” de Trump.
As frases Ler Mais Sob o tema “Escala para competir” , o encontro desta quarta-feira, que assinalou também o 10º aniversário do ECO e que coincidiu com a aprovação da venda de 49,9% da TAP aos alemães da Lufthansa , discutiu igualmente as c ondições de financiamento, as decisões de gestão e as políticas públicas necessárias para ganhar dimensão e disputar mercados globais.
Carlos Carvalho, presidente da ANJE, na Fábrica2030 Hugo Amaral Logo na abertura, o anfitrião Carlos Carvalho defendeu que é “urgente que o Estado, que é um dos maiores compradores, aposte em inovação nacional” , criticando concursos públicos que “barram a inovação nacional e deixam as start-ups de fora por critérios que as impedem [de participar], ou que não têm um mínimo de risco, favorecendo soluções obsoletas ou datadas no tempo”.
Aproveitando a presença de vários empresários e gestores na plateia, o presidente da ANJE reclamou que as grandes empresas devem ajudar os negócios que estão numa fase inicial, seja como “primeiros clientes”, seja com o seu “músculo e conhecimento” para as auxiliar no impulso da internacionalização.
“Não vamos a lado nenhum se estivermos numa guerra de gerações”, vaticinou.
Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, na Fábrica2030 Hugo Amaral Também a ‘jogar em casa’, Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, afirmou o “propósito e objetivo” da cidade em “ser uma rede fértil para a inovação e competitividade ” , mostrando-se “empenhado” em criar essas condições no território local e até no plano regional.
O autarca deixou três exemplos de iniciativas que o município nortenho já tem no terreno , incluindo a transformação da zona industrial em Ramalde num “espaço de inovação empresarial propício à atração de talento e novos negócios”.
“Não basta exportar mais.
É preciso crescer em produtividade e valor” , advertiu o economista Óscar Afonso .
O professor catedrático e diretor da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto (FEP) apontou que a escala das empresas se consegue com mais qualificação na área da gestão, sofisticação setorial, capitalização e internacionalização , ao passo que os legisladores devem tornar a fiscalidade mais competitiva, reduzir a morosidade da justiça e reformular também a lógica dos fundos europeus.
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