Governo de Giorgia Meloni prestes a fazer história ao tornar-se no mais duradouro de Itália no pós-guerra
O governo de extrema-direita de Giorgia Meloni torna-se na próxima sexta-feira o mais duradouro da história da Itália pós-guerra, um recorde num momento de desafios consideráveis que se aproximam com as eleições do próximo ano.
Num país outrora sinónimo de instabilidade política, a primeira mulher a liderar o Executivo italiano terá estado à frente do mesmo governo durante 1.413 dias, ou seja, mais um dia do que o conseguido por Silvio Berlusconi nos seus quatro mandatos.
"É certamente uma fonte de orgulho", afirmou à agência noticiosa francesa AFP Marco Osnato, deputado do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (FDI) de Giorgia Meloni.
"Em termos de política externa, a Itália nunca ocupou um lugar tão central, especialmente na Europa", afirmou Osnato, seja no endurecimento das regras de imigração ou na política energética, com Roma a ser agora considerada um ator principal em Bruxelas.
Segundo analistas, este recorde deverá reforçar a imagem da primeira-ministra enquanto a Itália, que teve quase 70 governos nos últimos 80 anos, se prepara para umas eleições nacionais em 2027.
O FDI está constantemente à frente nas sondagens, mas alguns acontecimentos recentes têm complicado o caminho para a sua reeleição, disse à AFP Lorenzo Pregliasco, do instituto de sondagens YouTrend.
Este ano, Giorgia Meloni foi enfraquecida pela derrota no referendo sobre a reforma da justiça, que mostrou aos eleitores que "poderia existir uma maioria alternativa" à coligação ultraconservadora no poder, disse Pregliasco.
Esta derrota também levantou questões sobre o balanço do governo. Com o reforço dos poderes do Primeiro-Ministro e o aumento da autonomia regional, a reforma da justiça era um dos três compromissos principais da coligação que o governo ainda não cumpriu até hoje.
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