Ações da Shein afundam mais de 9% na estreia em Hong Kong
O s títulos chegaram a negociar em torno de 44 dólares de Hong Kong (4,84 euros), abaixo do preço de 48,56 dólares de Hong Kong (5,34 euros) fixado para a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês).
A empresa colocou no mercado 280 milhões de ações e captou cerca de 13.600 milhões de dólares de Hong Kong (quase 1.500 milhões de euros), naquela que era uma das mais aguardadas estreias em bolsa dos últimos anos na região administrativa especial chinesa.
A operação avaliou a Shein em pouco mais de 26.000 milhões de dólares (22.390 milhões de euros), cerca de um quarto dos quase 100.000 milhões de dólares (86.000 milhões de euros) atribuídos à empresa numa ronda privada de financiamento realizada em 2022.
Fundada na China em 2012 e atualmente sediada em Singapura, a Shein indicou que pretende utilizar a maior parte dos fundos captados para reforçar as capacidades tecnológicas e expandir a presença internacional.
A cotação em Hong Kong concretizou-se após tentativas frustradas de entrada nas bolsas de Nova Iorque, em 2023, e Londres, em 2024, perante obstáculos regulatórios e oposição política relacionada, entre outros fatores, com o escrutínio sobre a cadeia de fornecimento da empresa na China.
A plataforma recebeu, no início de julho, a aprovação do regulador chinês dos mercados para avançar com a cotação em Hong Kong.
A Shein tornou-se uma das principais empresas mundiais de 'ultra fast-fashion', modelo assente no lançamento contínuo de novas coleções a preços reduzidos e na promoção através das redes sociais, sobretudo junto de consumidores mais jovens.
Apesar de estar sediada em Singapura, a empresa mantém grande parte da cadeia de fornecimento na China, beneficiando da dimensão da indústria têxtil e da rede logística do país.
A plataforma vende produtos em mais de 150 países e afirma contar com 273 milhões de clientes.
Em 2025, a Shein registou receitas de 41.800 milhões de dólares (cerca de 36.000 milhões de euros), entregou mais de mil milhões de encomendas em todo o mundo e obteve um lucro líquido de 2.100 milhões de dólares (1.800 milhões de euros).
A empresa entrou, no entanto, no vermelho no início deste ano, ao registar prejuízos líquidos de 99 milhões de dólares (85 milhões de euros) no primeiro trimestre.
No prospeto da oferta pública inicial, a Shein reconheceu não poder garantir aos investidores a manutenção das elevadas taxas de crescimento registadas nos primeiros anos de expansão.
A empresa enfrenta também um ambiente comercial e regulatório mais adverso em alguns dos principais mercados.
Em 2025, os Estados Unidos eliminaram a isenção aduaneira de que beneficiavam encomendas de baixo valor, aumentando significativamente os encargos fiscais sobre as vendas da plataforma.
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