Ativista pró-junta militar acusado de atentado contra credibilidade do Estado
O ativista maliano Bad le Malien, apoiante da junta no poder, foi acusado de difamação e atentado contra a credibilidade do Estado, tendo ficado hoje em prisão preventiva.
Badra Aliou Dicko, conhecido por Bad le Malien, tem defendido com fervor, nas redes sociais, os militares que tomaram o poder através de dois golpes de Estado, em 2020 e 2021, neste país do Sahel que é palco de um conflito desde 2012.
Contudo, a 15 de setembro, o influenciador acusou o exército e os seus aliados paramilitares russos do Africa Corps de terem matado pelo menos 10 civis, detidos na região de Ségou.
"Na localidade de Ké-Macina, região de Ségou, no centro do Mali, a 13 de setembro de 2026, corpos esquartejados terão sido descobertos em sacos, num pântano", afirmou Bad le Malien nas suas redes sociais, incluindo o Facebook e o YouTube.
Fontes de segurança e locais tinham confirmado à agência France-Presse (AFP) a execução de pelo menos 10 civis por militares malianos e paramilitares russos, antes de os seus corpos terem sido ocultados em sacos e atirados para um rio.
Há vários anos que os abusos cometidos contra civis pelo exército e pelos paramilitares russos do grupo Wagner, transformado em Africa Corps, têm sido amplamente documentados.
Bad le Malien será julgado a 28 de dezembro, apurou a AFP junto do tribunal especializado no combate à cibercriminalidade.
Bad le Malien tinha sido detido a 15 de setembro na localidade de Sikasso (sul), fronteiriça com a Costa do Marfim, assim permanecendo durante quase três semanas, antes de ser apresentado ao procurador, precisou uma fonte próxima do processo.
A junta do general Assimi Goïta, no poder no Mali, adotou medidas repressivas contra as vozes dissidentes e a imprensa.
Várias personalidades críticas foram detidas, presas ou empurradas para o exílio e, em nome do patriotismo e da luta antiterrorista, tornou-se muito arriscado criticar a ação do exército.
Em agosto, outra figura pró-junta, Ben le Cerveau, foi condenada a pena de prisão efetiva por "ameaças e insultos" contra os militares no poder, após ter apelado publicamente para que realizassem eleições.
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