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Chissano lamenta "situações" na Guiné-Bissau que impedem participação na CPLP

RTP Notícias - Mundo ·
Chissano lamenta "situações" na Guiné-Bissau que impedem participação na CPLP

O antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano lamentou hoje "as situações" que impedem a Guiné-Bissau de participar na CPLP e desejou que regresse "o mais depressa possível", considerando que o silêncio pode ajudar a construir consensos.

"Lamentamos que um dos países da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] tenha, neste momento ainda, situações que impedem de participar ainda na CPLP", disse à Lusa Joaquim Chissano, à margem de uma visita à sede da organização, em Lisboa, onde foi recebido pela secretária executiva, Maria de Fátima Jardim, e pelos representantes permanentes dos Estados-membros.

Referindo-se à Guiné-Bissau, o antigo chefe de Estado moçambicano disse ter feito votos para que o país regresse "o mais depressa possível", para que a comunidade possa "beneficiar da sua contribuição".

Questionado sobre o papel da CPLP perante a situação naquele país, Chissano ressalvou que não participou nas reuniões, mas afirmou: "Já ouvi dizer que esforços estão sendo feitos de várias maneiras".

"Há várias maneiras de trazer consensos quando há problemas muito complexos e a melhor maneira às vezes é o silêncio", acrescentou.

A Guiné-Bissau está suspensa da participação nas atividades da CPLP desde dezembro de 2025, na sequência do golpe militar de 26 de novembro desse ano, que interrompeu o processo eleitoral. A decisão da CPLP determina que a suspensão vigore até à retoma da ordem constitucional.

Estavam previstas para 06 de dezembro deste ano novas eleições, mas o Governo de transição e a Comissão Nacional de Eleições consideraram não estarem reunidas as condições para a votação.

As eleições anteriores, presidenciais e legislativas antecipadas, tinham decorrido em 23 de novembro de 2025, mas o processo foi interrompido pelo golpe militar de 26 de novembro, antes da conclusão do apuramento dos resultados.

Com uma medalha comemorativa dos 30 anos da CPLP à lapela, que recebeu durante a sessão solene, Chissano manifestou "admiração pelos resultados" do trabalho da organização e destacou a diversificação das suas atividades, para além da promoção da língua portuguesa.

"A língua portuguesa hoje serve para falar de conteúdos muito importantes, como a paz, a solidariedade, sobre questões políticas do mundo, sobre a economia, sobre a biodiversidade, sobre a mulher, sobre os direitos humanos, e muito mais", destacou.

"É muito interessante, no momento em que em algumas organizações encontramos novas dificuldades de estabilização dentro das organizações e a CPLP está se consolidando", afirmou Chissano.

A CPLP foi criada em 17 de julho de 1996, em Lisboa, por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Atualmente integra nove Estados-membros, após a entrada de Timor-Leste e da Guiné Equatorial.

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