Oposição exige transparência no acordo petrolífero entre Venezuela e EUA
A principal coligação da oposição venezuelana exigiu hoje mais informações, transparência e garantias verificáveis sobre o acordo petrolífero entre Caracas e Washington, que concede aos EUA o controlo de mais de 20% das reservas de crude venezuelanas.
"Considerando que este é um acordo de grande escala entre dois países com implicações para o nosso futuro, exigimos transparência, mais informação, prestação de contas e garantias verificáveis", destacou o partido Primeiro Justiça (PJ), membro da Plataforma Democrática Unitária (PUD), em comunicado.
O partido indicou que o país tem o direito de saber os termos, como os recursos gerados serão geridos e, sobretudo, como será garantido que os seus benefícios cheguem à nação e ao seu povo.
Garantiu ainda que apoia os investimentos no país, mas insistiu na necessidade de avançar com a "construção das condições para uma transição democrática", uma vez que, no seu entender, a reconstrução exige petróleo, mas também democracia para que as instituições possam ser recuperadas e as garantias de eleições livres possam ser asseguradas.
Por seu lado, a AD (Ação Democrática) lembrou, em comunicado, que a transparência "é uma obrigação institucional" e exigiu a publicação do acordo, "os seus anexos e as condições económicas, jurídicas, operacionais e financeiras que o sustentam".
"O petróleo pertence a todos os venezuelanos, e qualquer decisão relativa à sua exploração deve ser submetida ao escrutínio cidadão e aos correspondentes mecanismos constitucionais. A soberania nacional não se proclama apenas em discursos; é garantida através de instituições, transparência, prestação de contas e da defesa efetiva do interesse nacional", destacou o partido, que manifestou ainda preocupação com a validade do acordo, assinado com o que considera um "regime ilegítimo".
Estados Unidos e Venezuela anunciaram na sexta-feira um acordo histórico pelo qual Washington controlará mais de 20% das reservas de crude da Venezuela.
O acordo foi assinado quase oito meses depois da aproximação entre a administração da presidente interina Delcy Rodríguez e a administração Trump, na sequência da detenção de Nicolás Maduro, em janeiro.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, descreveu o acordo como "uma grande vitória tanto para o povo norte-americano como para o venezuelano".
Delcy Rodríguez, por sua vez, detalhou no sábado que está previsto o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com "um potencial comprovado de 65 mil milhões de barris de petróleo", e informou que o acordo terá uma duração de 25 anos, com uma meta de produção superior a 1,5 milhões de barris por dia.
A governante ainda que, tendo como referência o preço de 65 dólares por barril, o país poderá receber 209,335 mil milhões de dólares com o acordo.
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