Robert Price tinha uma mina de ouro de um bilião de dólares congelada. Depois, o Dr. Phil envolveu-se
Robert Price não tinha reparado na fotografia de guerra, com 3 metros de altura, do pai atrás de si.
O texano do setor petrolífero parou, com os olhos a encherem-se de lágrimas. Deu uma gargalhada cautelosa e voltou a olhar para a fotografia.
“Hum”, começou Price novamente, com a voz a tremer. “Esteve destacado na Gronelândia durante três anos, numa estação meteorológica.”
Price estava sentado no meio de um estúdio totalmente equipado, a gravar um podcast apresentado por Phil McGraw, também conhecido como Dr. Phil, o frequente convidado do “The Oprah Winfrey Show” que se tornou apresentador de televisão e, mais tarde, um dos mais vocais apoiantes do presidente Donald Trump.
O experiente homem do ramo do petróleo tinha obtido direitos exclusivos de perfuração em Jameson Land, uma região remota da Gronelândia situada precisamente no Círculo Polar Ártico - e aquilo que acredita ser o último projeto petrolífero de fronteira do mundo.
Até 13 mil milhões de barris de petróleo bruto, no valor de mais de 1 bilião de dólares aos preços atuais, estavam congelados nas profundezas daquela mesma extensão de terra gelada que o pai meteorologista de Price tinha sido enviado para monitorizar durante a Segunda Guerra Mundial. Era petróleo de que o mundo precisava desesperadamente, com uma guerra a decorrer no Médio Oriente e as reservas mundiais de petróleo bruto a caírem 2 mil milhões de barris, atingindo níveis criticamente baixos nos últimos sete meses.
Price queria contar ao mundo tudo sobre aquilo, e o Dr. Phil iria ajudá-lo a fazê-lo. “O meu pai ficaria muito orgulhoso”, afirmou no podcast.
Os groenlandeses, já inquietos com a ambição de Trump de controlar a Gronelândia, ficaram furiosos. Os reguladores locais retiraram o seu apoio ao projeto. Price cortou relações com o Dr. Phil e está a tentar fazer as pazes. Numa entrevista à CNN, explicou que a política não está em causa. Trata-se de ajudar a Gronelândia a beneficiar das suas riquezas naturais.
“Isto tem a ver com trazer capital para a Gronelândia. Não tem nada a ver com a administração Trump”, afirma Price em declarações à CNN. “A política vai e vem, mas o nosso projeto estará aqui durante muito tempo.”
Price espera conseguir salvar o enorme e dispendioso projeto através de um sério trabalho de recuperação de danos. A sua empresa, Greenland Energy, afirmou num comunicado de imprensa recente que não tomaria atalhos e que continuaria o moroso processo regulamentar “um dia e um passo de cada vez”. Outro erro poderia manter todo aquele petróleo potencialmente existente bloqueado para sempre sob a superfície congelada.
Price tem petróleo no sangue. O seu avô morreu num incêndio numa plataforma petrolífera. O seu pai cresceu em Cushing, Oklahoma, a encruzilhada dos oleodutos do mundo. E Price passou décadas da sua carreira a obter terrenos para que grandes empresas petrolíferas pudessem perfurar.
Price sabe que parece absurdo. Os seus poços estão escondidos quilómetros abaixo de uma camada de gelo, numa região remota da Gronelândia sem qualquer forma de entrar ou sair durante todo o inverno.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.