Habitação e custo de vida? Esquerda acusa Governo de ignorar dificuldades
Os partidos de Esquerda acusaram hoje o Governo de ignorar as dificuldades na habitação e custo de vida, com o Livre a denunciar desprezo, o PCP a acusar o executivo de alheamento e o BE a considerar Montenegro desesperado.
Estas posições foram assumidas pelos líderes dos três partidos em declarações aos jornalistas durante a manifestação da CGTP por aumentos salariais e contra o aumento do custo de vida, que decorre esta tarde em Lisboa.
A co-porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes defendeu a adoção de medidas para a habitação que "promovam o arrefecimento dos mercados", criticando o caminho seguido pelo Governo.
"Rendas moderadas de 1.300 euros, facilitar os despejos, dar mais poder a grandes senhorios face a pequenos senhorios e a inquilinos, tudo isto são medidas que aquecem o mercado de habitação e quando deveríamos estar a fazer exatamente o contrário", afirmou, frisando que as "pessoas estão desesperadas" e não "veem respostas do lado político".
A dirigente do Livre acusou ainda o Governo de mostrar "desprezo" pelos manifestantes e de "viver numa bolha", porém defendeu que "é importante manter a calma" e repudiou "quaisquer declarações que possam ser entendidas como uma ameaça direta, como aconteceu no Porto", numa referência a um vídeo divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro em que uma pessoa que participava no protesto terá ameaçado atacar a casa de Luís Montenegro.
"A salvaguarda da integridade física e da integridade de qualquer pessoa e de qualquer político e das suas famílias, acho que isso me parece essencial", enfatizou.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou ver na adesão à manifestação uma "grande força para abrir um novo rumo para o país" e responsabilizou particularmente o primeiro-ministro "pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas" presentes no protesto.
Inquirido sobre se a adesão à manifestação terá saído beneficiada pelas declarações dos membros do Governo nos últimos dias, o líder comunista recusou essa leitura, argumentando que as "pessoas vêm para a rua porque têm problemas, salários curtos, pensões que são baixas".
Depois de o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, ter dito que o Governo não cederá aos "gritos que vêm da rua", Raimundo considerou ainda que quem não ouve estes manifestantes está "completamente fora da realidade".
O coordenador do BE, José Manuel Pureza, salientou que se mobilizou hoje "gente que não é egoísta e que vem para a rua lutar pelos seus direitos e pelos direitos dos outros, e que sabe que a vida com o preço da habitação como está é um exercício de aflição".
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