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Ventura está "mais tendente a avançar" com moção de censura e acusa Luís Neves de "estilo Al Capone"

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Ventura está "mais tendente a avançar" com moção de censura e acusa Luís Neves de "estilo Al Capone"

Luís Neves falou esta terça-feira. André Ventura ouviu e garante que ficou “desapontado e estupefacto”. “Não trouxe nada de novo”, criticou o presidente do Chega, em entrevista à CNN Portugal, nesta terça-feira à noite, depois de o ministro da Administração Interna ter afastado qualquer hipótese de demissão, admitido ter cometido “um ou outro erro” e garantido que continuará no Governo.

A decisão sobre uma moção de censura ficou, ainda assim, adiada para quarta-feira. “Essa é uma decisão que não está ainda completamente tomada”, esclareceu Ventura. Mais tarde na entrevista deixou claro para que lado pesa a balança: “Estou mais tendente a avançar do que a recuar.”

O líder do Chega tinha ameaçado apresentar a iniciativa esta terça-feira caso Luís Montenegro não afastasse Luís Neves, mas quis primeiro ouvir o ministro e falar com o Presidente da República, António José Seguro. “Gerei essa expectativa? É verdade”, reconheceu, justificando-a com aquilo que considera ser um consenso crescente em torno da saída do governante. “Das pessoas com quem tenho falado, é hoje um consenso quase absoluto de que Luís Neves não tem condições para continuar”, sustentou.

Ventura confirmou também a conversa com António José Seguro, mas recusou revelar o conteúdo. “Falei com António José Seguro, mas não vou dizer sobre o que é que falei.” Questionado sobre se Luís Neves esteve em cima da mesa, respondeu: “Era isso que estava em análise, não era?” E acrescentou que, pelas notícias entretanto conhecidas, lhe parece claro que o Presidente da República “quer o caso resolvido”.

A pressão política sobre o ministro da Administração Interna cresceu desde julho, quando começaram a ser conhecidas dúvidas sobre obras numa propriedade da família em Odemira feitas pela Construbarcelos, empresa que tinha recebido cerca de dois milhões de euros em contratos da Polícia Judiciária durante os anos em que Luís Neves dirigiu aquela polícia. O ministro sempre negou favorecimentos. A Câmara de Odemira abriu averiguações às obras depois de confirmar que não existia qualquer processo de licenciamento ou comunicação prévia e que o “tanque” inicialmente referido por Neves era uma piscina.

Depois surgiu o caso de um atrelado apreendido pela PJ, em dezembro de 2024, durante a Operação Pacoba, uma investigação ao tráfico de droga. O veículo acabou nas instalações da Construbarcelos, em Barcelos, e tinha no interior bidões com produtos químicos utilizados no processamento de cocaína. A PJ abriu um inquérito para perceber como saiu da sua guarda.

Mais recentemente soube-se que Luís Neves utiliza um Volkswagen Golf GTD apreendido pela PJ no processo de Rúben Oliveira, conhecido como “Xuxas”, condenado por tráfico de droga. O ministro defendeu esta terça-feira que a utilização de bens apreendidos pelas forças de segurança está prevista na lei e lembrou que, enquanto diretor nacional da Judiciária, centenas de viaturas e outros bens foram colocados ao serviço do Estado.

É a acumulação destes episódios que Ventura transforma agora no argumento para a moção.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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