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A guerra já está aqui

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A guerra já está aqui

“Continuamos à espera dos tanques para decidir se estamos ou não perante uma guerra. Talvez seja precisamente essa espera que esta nova forma de guerra pretende explorar.”

Durante a Guerra Fria, ninguém precisava de ver tanques soviéticos a atravessar o Checkpoint Charlie para compreender que existia uma guerra em curso. Havia espionagem, agentes duplos, operações de influência, financiamento clandestino, propaganda, desinformação, infiltração de movimentos políticos e sociais, sabotagem e uma disputa permanente pela capacidade de condicionar as sociedades do adversário. Chamávamos-lhe Guerra Fria precisamente porque a guerra não precisava de ser quente para ser guerra.

Depois caiu o Muro de Berlim e cometemos um dos erros mais persistentes das últimas décadas: convencemo-nos de que, com ele, tinham desaparecido também os métodos. Não desapareceram. Adaptaram-se, modernizaram-se e encontraram nas sociedades abertas, na revolução digital e na extraordinária interdependência das economias europeias novos instrumentos e, sobretudo, novas vulnerabilidades. Talvez seja precisamente por isso que continuamos a ter tanta dificuldade em reconhecer como guerra uma forma de conflito que foi deliberadamente construída para não se parecer com uma guerra.

É também por isso que custa compreender a facilidade com que algumas vozes procuram transformar o que aconteceu no aeroporto de Leipzig/Halle numa espécie de invenção das autoridades alemãs, chegando mesmo a falar numa operação de falsa bandeira. O incidente ocorreu no início de agosto e Berlim só responsabilizou publicamente a Rússia semanas depois. Durante esse período, a Procuradoria Federal, as forças policiais e os serviços de segurança investigaram os explosivos, os mecanismos de detonação, as características da operação e as ligações dos suspeitos, cruzando informação com parceiros europeus. Quando Alexander Dobrindt falou inicialmente sobre o caso, não acusou imediatamente Moscovo. A atribuição veio depois.

Há aqui uma diferença fundamental que, por vezes, parece escapar ao debate. Num Estado democrático, primeiro investiga-se e depois acusa-se. Há regras de prova, tribunais, escrutínio político e jornalístico e limites jurídicos à atuação dos serviços de informações. Pode naturalmente discutir-se a conclusão das autoridades alemãs. Pode exigir-se que apresentem aquilo que puder ser tornado público sem comprometer fontes ou investigações. O que é intelectualmente muito diferente é substituir uma investigação por uma teoria de falsa bandeira para a qual, curiosamente, não se apresenta qualquer prova. Uma operação de falsa bandeira é perfeitamente possível nas relações internacionais e a História conhece várias. Uma possibilidade teórica, porém, não se transforma numa explicação factual apenas porque alguém a repete suficientemente alto.

Leipzig é importante, mas não é o essencial. O essencial é perceber aquilo que está a acontecer à nossa volta. Não acredito que Vladimir Putin tenha concebido um plano napoleónico para conquistar militarmente o continente europeu, nem existe neste momento informação pública que permita afirmar que uma invasão russa de território da NATO está iminente.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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