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Igreja, Ordens Religiosas e a construção de “Portugal" - I

Observador ·
Igreja, Ordens Religiosas e a construção de “Portugal" - I

A relação da Igreja Católica com a história de Portugal tem sido marcada pelo complexo paradoxal do “amor/ódio”. Na óptica da longa duração, podemos verificar que se passou de uma relação de cooperação comprometida com a construção das estruturas fundadoras do Reino de Portugal e da identidade portuguesa para uma atitude de hostilidade, de desconfiança, de desencontros de ideários que conduziu à separação e à expulsão de alguns dos corpos mais dinâmicos da Igreja, as ordens e as congregações religiosas, que tão apoiadas tinham sido pela coroa portuguesa e por outras instâncias de poder temporal desde os alvores da nacionalidade. Vale a pena chamar aqui a lúcida apreciação de Manuel Antunes sobre os longos e complexos séculos de relação entre a Igreja e o projeto político que se consubstanciou na afirmação de Portugal como reino e estado independente no quadro político da península ibérica e da Europa: «Frente à vida religiosa e à maneira como ela se realiza na Igreja, desde há séculos, cada época da história vai revelando uma sensibilidade particular. A Idade Média teve a sua; o Renascimento teve a sua; o Romantismo teve a sua; o século XX tem a sua. Sensibilidade particular, fruto do teor de vida e do “ar do tempo”, mas subsumida numa dialéctica mais geral que parece ser a sua constante. Frente à vida religiosa, desde que ela existe, os homens foram experimentando sempre atração e repulsa. Pode dominar um ou outro momento, pode prevalecer a atração ou pode prevalecer a repulsa – na Idade Média vence a atração e no Romantismo vence a repulsa – mas a realidade bipolar permanece.»

Como se pode explicar que se tivesse passado de uma associação praticamente umbilical entre a Igreja através das suas mais diversas estruturas e instituições, nomeadamente as ordens religiosas e o projeto de um país independente como o nosso, para uma atitude de repúdio e de perseguição por parte do Estado português moderno? Como é que uma relação secular de amizade, de autêntica parceria evolui para uma relação de inimizade, conflito aceso e divórcio, por vezes, com expressões violentas?

Com efeito, desde a historiogénese e da sociogénese de Portugal, e mesmo nas suas raízes anteriores à proclamação do nosso país como povo e reino livres, a rede internacional da Igreja, nomeadamente através das suas ordens religiosas, teve um papel importante na afirmação deste território auto-determinado, com uma língua, uma cultura, com uma governação própria e estruturada.

Além da evangelização e aculturação do Cristianismo que frades e monges medievais, na fase anterior à existência política do Reino de Portugal, desenvolveram desde o Norte do país, com destaque para a estruturação monástica e diocesana protagonizada por figuras como São Martinho de Dume e de São Frutuoso, o momento fundacional do Reino com a liderança de D.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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