Chega adia anúncio de moção após Luís Neves fazer promessa de “derrotar populismo”
O líder do Chega, André Ventura, mantém a intenção de avançar com uma moção de censura ao Governo, que ameaçou apresentar caso Luís Neves permanecesse no Ministério da Administração Interna, mas vai fazer mais reuniões nesta quarta-feira para definir o timing para o grupo parlamentar do seu partido concretizar essa iniciativa.
E ponderar a resposta às declarações do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária, que quebrou o silêncio nesta terça-feira, garantindo que não se demitirá e que terá, enquanto “motivação adicional” para continuar em funções, “contribuir para derrotar politicamente o populismo”.
Depois de ter prometido uma “decisão final” sobre a moção de censura na terça-feira, Ventura reservou-se para uma entrevista à CNN Portugal, na qual disse ter ficado "estupefato" com as declarações de Luís Neves, mas confirmou as indicações de que iria adiar o anúncio.
Antes disso, qualificara o discurso, proferido na cerimónia do 148.º aniversário da PSP Madeira, de “impressionante, inenarrável e inqualificável”, numa publicação nas suas redes sociais, deixando a pergunta: “O que saberá Luís Neves sobre o primeiro-ministro?” Confirmando ter falado sobre a moção de censura com o Presidente da República, António José Seguro, André Ventura voltou a destacar, na entrevista à CNN Portugal, o "consenso" patente nas preocupações de socialistas como Álvaro Beleza e Adalberto Campos Fernandes.
E confirmou que anunciará na quarta-feira a decisão do Chega sobre o que se deve fazer perante o "lamaçal" decorrente das dúvidas quanto aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária, perguntando-se quando Luís Montenegro compreenderá o que está em causa.
"Se eu anunciar amanhã [quarta-feira] que vamos interpor uma moção de censura é porque estou convencido de que 100% dos meus deputados estão ao lado desta iniciativa, a grande maioria da sociedade civil está ao lado desta iniciativa, e a grande maioria das pessoas que tiveram responsabilidades, e entrecruzam entre o espaço do centro-direita e da direita, querem esta moção de censura", disse o líder do Chega à CNN Portugal.
Sobre a audição regimental que o ministro da Administração Interna tem marcada para 8 de setembro, na Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia da República, André Ventura recordou que não é um dos deputados do Chega com assento nessa comissão .
E manteve que o seu partido avançará a comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.
Horas antes, o ministro da Administração Interna passara ao contra-ataque , perante o que disse ser “uma escalada de mentiras, de insinuações e de destruição pessoal e política que ultrapassou todos os limites do confronto político democrático”.
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