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O dia que começou com lágrimas e acabou com "o avô de volta"

Observador ·
O dia que começou com lágrimas e acabou com "o avô de volta"

Não é a primeira vez que trazemos esse momento à história, provavelmente não será também a última vez que trazemos esse momento à história – também por “culpa” do próprio, claro. Quando Fernando Pimenta teve aquela receção acima de campeão olímpico em Paris por família, adeptos, adversários e simples adeptos da canoagem, mesmo terminando numa frustrante sexta posição, tudo apontava para uma despedida. “A” despedida. Aí, o corpo traiu o mais titulado de todos os tempos. As pernas falharam, a cabeça deixou de funcionar, o corpo congelou. Aqueles derradeiros 250 metros da final olímpica de 2024 foram tudo aquilo que um atleta habituado a ganhar teme mas é esse mesmo corpo que pede hoje mais uma “oportunidade”.

Ainda antes da final, sentindo-se de novo num grande momento de forma, Fernando Pimenta voltou a ter sonhos. Agora, queria voltar a ser campeão mundial de K1 1.000, a disciplina mais nobre da canoagem e que até na antecâmara da prata nos Jogos de Londres com Emanuel Silva, em 2012, queria que fosse a “sua”. A qualificação não passou de um treino com competição, a meia-final trouxe um triunfo frente ao principal rival dos últimos anos, o húngaro Balint Kopasz (que era o campeão em título). Pimenta acreditava ainda mais que era possível: “Eu gosto de os ver a arder, picados. É bom sinal. Significa que [no sábado] vão dar o seu melhor, é o que desejo. Quero que os meus adversários na final estejam todos a 100%. E que eu também consiga estar a 101% ou a 110%, a dar o meu máximo. Depois logo se verá quem são os melhores”.

Para fora dizia isso, para dentro pensava de outra forma. Por um lado, a medalha de bronze conseguida em Milão no último ano foi daquelas que ficam a remoer a cabeça, tendo em conta a noite difícil que passou na véspera e que obrigou mesmo a que mudasse de quarto de madrugada. Por outro, aquela sensação de que o que mais gosta de fazer está mais perto de terminar. “30 minutos antes da largada estava na plataforma a chorar sozinho e a refletir sobre a minha carreira, com a noção de que não me restam mais 15 anos com uma condição física deste nível. Pensava que ia querer divertir-me e fazer como o meu treinador disse: ‘Se eles quiserem ganhar, vão ter que sofrer muito mais do que tu'”, disse à Lusa.

Por mais que tenham feito, foi curto para tudo aquilo que Fernando Pimenta tinha para mostrar. Thomas Green ainda tentou aguentar o ritmo antes de quebrar na parte final, Balint Kopasz voltou a fazer uma prova de trás para a frente a dar tudo a partir dos 500 metros, Uladzislau Kravets e Jonas Ecker limitaram-se a ver o português andar na frente com menos pagaiadas do que aquelas que iam fazendo. O quarto título mundial da carreira estava confirmado aos 37 anos, com a habitual celebração a olhar para o céu antes de dedicar o triunfo à família. Mais uma vez, o mundo da canoagem estava rendido a um atleta sobre-humano.

“Estou de volta ao topo”, começou por dizer quando chegou à plataforma depois de sair do caiaque. “Era preciso acreditar que era possível e o avô está de volta.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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