Cabos submarinos, bombas correio e fábricas sabotadas: a guerra híbrida russa na Europa "vai certamente aumentar"
Foi aberta "uma caixa de Pandora", afirmou o presidente russo, Vladimir Putin, em resposta à decisão de Londres de permitir à Ucrânia a produção local de componentes dos mísseis Storm Shadow. Em retaliação, o Kremlin admitiu formalmente avançar com medidas técnicas e "semimilitares" contra instalações em solo britânico. No entanto, para os especialistas, a ameaça vai muito além do Reino Unido, com Moscovo a preparar-se para testar os limites da NATO numa verdadeira guerra de sabotagem em território europeu. Os sinais, esses, são já visíveis.
"A Rússia vai certamente aumentar o número de operações e continuará a fazer ações de sabotagem num largo espectro de técnicas e táticas. As últimas [ações] que tem feito é recorrer, através da internet, a recrutar pequenos criminosos, autores de delitos, para uma ação única, para depois não haver capacidade de fazer o rastreamento de quem foi o mandante", afirma à CNN Portugal o tenente-general Rafael Martins, especialista em Assuntos Militares.
Segundo os serviços secretos ocidentais, esse tem sido o principal modus operandi dos serviços secretos russos em território europeu, durante a última vaga de ações contra infraestruturas críticas. Após a expulsão de mais de 750 diplomatas e operacionais russos de embaixadas europeias entre 2022 e 2024, em 2022, a Rússia passou a utilizar o recrutamento digital de gangues e criminosos comuns como uma das suas maiores armas contra os produtores de armamento ocidentais.
"Recebem ordens através do telemóvel, vão recebendo os primeiros pagamentos, vão ficando fidelizados ao fazerem pequenas coisas. Vão sendo testados para ver se conseguem. Fazem um graffiti, colocam um balde do lixo a arder, até receberem a ordem para fazer algo mais perigoso. Assim, que o indivíduo faz a missão, é descartado", explica o tenente-general.
Os números confirmam a dimensão da operação clandestina russa. Um relatório do Serviço de Investigação do Congresso dos Estados Unidos (CRS) documenta pelo menos 151 incidentes de guerra híbrida atribuídos à Rússia em território europeu entre fevereiro de 2022 e março de 2026. De acordo com os mesmos dados, as ações de sabotagem quadruplicaram entre 2023 e 2024, mantendo uma trajetória de crescimento contínuo desde então.
A mais recente lista de alvos dos serviços secretos russos mostra um foco claro no fornecimento de equipamento militar a Kiev. Na semana passada, na Estónia, as instalações da Milrem Robotics, que fabricam veículos terrestres não tripulados para a Ucrânia, foi alvo de um ataque incendiário. Três pessoas foram detidas por suspeitas de colaboração com Moscovo, na sequência do ataque. Situação semelhante ocorreu na Chéquia, onde uma fábrica de drones e sensores térmicos foi parcialmente destruída no que as autoridades afirmam ter sido um ataque de uma célula de quatro operacionais pagos pelo GRU.
Dias antes, uma explosão de grandes dimensões atingiu a fábrica da EMCO na Bulgária, uma das principais fornecedoras privadas de projéteis de artilharia de 155 milímetros para as forças ucranianas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.