Desarmamento nuclear: a lição do Cazaquistão para o novo mundo
Há datas que não se devem transformar numa mera formalidade de calendário.
O dia 29 de agosto é, precisamente, um desses dias.
Hoje, a Organização das Nações Unidas assinala o Dia Internacional Contra os Testes Nucleares .
Esta efeméride, instituída em 2009 por iniciativa do Cazaquistão, teve como propósito recordar à Humanidade as consequências catastróficas das explosões nucleares e a necessidade de avançar rumo a um mundo livre da ameaça atómica.
A escolha histórica deste dia reveste-se de um profundo simbolismo: foi exatamente a 29 de agosto de 1991 que o Cazaquistão encerrou definitivamente o polígono de testes nucleares de Semipalatinsk.
Para o Cazaquistão, esta decisão nunca foi um tema abstrato da diplomacia – constitui uma ferida ainda aberta na sua memória nacional.
Ao longo de quatro décadas, o Polígono de Semipalatinsk foi palco de centenas de ensaios nucleares, cujos impactos afetaram vastos territórios e dilaceraram a vida de várias gerações.
Contudo, após a conquista da independência, o país deu um passo que, no início dos anos 90, pareceu quase inacreditável à comunidade internacional.
Numa entrevista ao Diário de Notícias, publicada a 12 de agosto do ano passado , o Embaixador do Cazaquistão em Portugal, Jean Galiev, recordou: "Abdicámos voluntariamente do quarto maior arsenal nuclear do mundo".
Este precedente histórico demonstrou de forma inequívoca que a verdadeira segurança de um Estado pode e deve alicerçar-se não na lógica da acumulação de armamento, mas sim na força de decisões estratégicas responsáveis.
Hoje, em 2026, esta lição adquire uma relevância renovada e dramática.
O sistema de segurança internacional atravessa um período de convulsões tectónicas e de uma profunda crise de confiança.
A guerra na Ucrânia não só trouxe de volta ao continente europeu a ameaça de um conflito armado de larga escala, como também evidenciou o perigo extremo que representa a proximidade de hostilidades militares a infraestruturas atómicas.
A Central Nuclear de Zaporíjia tornou-se um dos símbolos mais inquietantes desta realidade, levando a Agência Internacional da Energia Atómica a alertar reiteradamente para os riscos sem precedentes à segurança nuclear.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.