"Só existiu porque houve alguém que salvou a TAP". Pedro Nuno Santos divertiu-se com o dia da venda da empresa
A venda de 49,9% da TAP por 1,2 mil milhões de euros à Lufthansa é um bom negócio. Pedro Nuno Santos não tem dúvidas disso, mas entende que foram ditas várias mentiras durante todo o processo, nomeadamente por parte dos vários membros do Governo.
Em entrevista à CNN Portugal, o antigo ministro das Infraestruturas, que é um dos nomes que se confundem com a gestão da empresa nos últimos anos, reclamou para si alguns dos louros da venda, que foi comunicada num “dia divertido”.
“Foi um dia divertido. Não tanto pelo reconhecimento, também pelo incómodo do próprio Governo e da AD”, começou por dizer, sublinhando que a venda de parte da companhia aérea “só existiu porque houve alguém que salvou a TAP”.
É por isso que Pedro Nuno Santos vê o Governo “incomodado”, mas até mais do que isso. “A AD, até mais do que os liberais, está numa situação complicada. Quer puxar os resultados da venda, mas não quer reconhecer que sem o nosso trabalho [esses resultados] eram impossíveis”, frisou.
Falando em várias mentiras do lado do Governo, o antigo ministro das Infraestruturas afirmou que não se pode “deixar passar ao de leve que durante anos o PSD fez um massacre contra a intervenção que foi feita”.
Intervenção essa que Pedro Nuno Santos não reclama como indivíduo, mas como membro de um governo, o de António Costa, até porque “a decisão da intervenção não foi minha”.
“A decisão foi do governo, do primeiro-ministro, do ministro das Finanças. Aliás, ninguém tem dúvidas de que Mário Centeno e João Leão não cediam 3,3 mil milhões de euros para que se nacionalizasse uma empresa”, reiterou, justificando sempre a decisão tomada na altura como coletiva.
Recuando no tempo, Pedro Nuno Santos lembrou que o agora primeiro-ministro, Luís Montenegro, chegou a dizer que era impossível recuperar o investimento que foi feito para salvar a companhia aérea.
“Aquilo que podemos confirmar é que PSD, AD e Luís Montenegro estiveram estes anos todos enganados ou a enganar os portugueses, porque nos termos deles vamos recuperar o investimento”, atirou.
“Estiveram anos a destratar o PS e a mim enquanto ministro e ontem celebram uma venda. Os membros do Governo fizeram um exercício de ‘fizemos uma grande venda sem qualquer responsabilidade do governo anterior’”, acrescentou Pedro Nuno Santos, falando numa “história da carochinha que só acredita quem quer”.
Apesar de concordar que o negócio é positivo, o antigo ministro das Finanças ressalvou, ainda assim, que o melhor ano para vender a empresa teria sido 2024, precisamente o primeiro do governo de Luís Montenegro.
Isto porque, como recordou Pedro Nuno Santos, a TAP vinha do “maior lucro da história”, com 170 milhões de euros em 2023. “Em 2024, o primeiro ano deste Governo, a TAP tem um lucro de 53 milhões de euros, em 2025 só tem de quatro milhões e vamos ver se em 2026 não voltamos ao prejuízo”, continuou, acusando o atual Executivo de ser responsável pela degradação das margens da TAP, e não pela sua valorização.
Por isso mesmo, este “bom negócio dá-nos razão”. Ao governo de António Costa, entenda-se, e a Pedro Nuno Santos ministro das Infraestruturas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.