Contarato aposta nas entregas do mandato para superar mágoa de eleitor
Foto: Thiago Soares/Folha Vitória Na eleição de 2018, o então delegado Fabiano Contarato conseguiu uma façanha política rara.
Sem jamais ter disputado uma eleição na vida, foi eleito o senador capixaba mais votado do Espírito Santo.
Arrastou 1.117.036 votos – superando inclusive a votação do governador eleito naquele mesmo pleito, Renato Casagrande, que obteve 1.076.670 votos.
O combustível dessa votação estrondosa não veio da política tradicional, mas do asfalto.
Contarato ficou famoso pela linha dura e intransigente que imprimiu à frente da Delegacia de Delitos de Trânsito.
Chegou a ser chamado de “xerife”, por ter tolerância zero com os crimes cometidos ao volante.
Filiado, à época, à Rede Sustentabilidade e apadrinhado por Audifax Barcelos, então prefeito da Serra, Contarato rodou o Estado com uma campanha voltada à defesa da segurança pública, ao combate à corrupção e de apoio à operação Lava-Jato.
A “farda” de delegado, somada ao tsunami da onda de renovação que varreu o País em 2018, fez com que Contarato desbancasse políticos tradicionais – os senadores Magno Malta e Ricardo Ferraço, que tentavam a reeleição.
Porém, a lua de mel com o eleitorado conservador, lavajatista e bolsonarista durou pouco.
Logo no início do mandato, o senador começou a sofrer pressão pela postura que assumiu durante os desdobramentos da Vaza Jato.
Contarato questionou a imparcialidade das decisões do ex-juiz e então ministro da Justiça Sérgio Moro.
A cobrança teve reflexo nas ruas e nas redes sociais e Contarato começou a ser criticado.
Depois, durante a pandemia da Covid-19, Contarato tornou-se uma das vozes mais contundentes de oposição ao governo Jair Bolsonaro e assumiu a liderança em pautas de direitos humanos, causas LGBTQIA+ e preservação ambiental.
A antipatia do eleitorado de direita escalou e o “xerife” de outrora agora era rotulado pela base bolsonarista como um parlamentar da oposição.
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