Primeiro Comando do Golpe: nova facção ganha força em presídios do Rio
Uma dissidência do Povo de Israel (PVI) está se articulando dentro do sistema penitenciário do Rio de Janeiro e pode dar origem a uma nova facção criminosa no estado.
Batizado de Primeiro Comando do Golpe, o grupo surgiu após a morte de Avelino Gonçalves Lima , de 54 anos, apontado como chefe do PVI, no ano passado.
A movimentação já provocou confrontos entre detentos, e a Secretaria estadual de Polícia Penal (Seppen) acionou sua área de inteligência para identificar os envolvidos e adotar medidas como o isolamento.
O PVI, que surgiu nas prisões fluminenses, reúne os chamados “neutros”, presos que não integram Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro ou Amigos dos Amigos.
A principal fonte de renda atribuída ao grupo são golpes realizados por telefone, embora também haja comércio de drogas dentro das unidades.
No início de agosto, a Draco prendeu um policial penal suspeito de facilitar a entrada de celulares e entorpecentes para integrantes da organização.
A existência de conflitos entre o PVI e a dissidência foi registrada em documentos do Conselho Penitenciário do Estado do Rio (Cperj), após uma vistoria no Presídio Evaristo de Moraes, o Galpão da Quinta, em São Cristóvão.
Detentos relataram agressões, ameaças e temor de mortes.
Um deles afirmou ter sofrido fraturas em três costelas durante uma briga.
Em ofício enviado à Seppen, o conselho classificou o cenário como “crítico”, agravado pela superlotação: a unidade tinha capacidade para 1.497 presos, mas abrigava 3.244, equivalente a 217% da lotação prevista.
Pelo menos 60 detentos já foram identificados como integrantes do Primeiro Comando do Golpe, que estaria em conflito com o PVI em diferentes presídios.
Em 23 de julho, presos apontados como integrantes do novo grupo atearam fogo a uma galeria do Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó, em uma tentativa de assumir o controle do espaço.
Após o episódio, seis detentos, entre eles Thiago Faustino Apolinário dos Santos, conhecido como TH, foram isolados e passaram a cumprir pena em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
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