Sargento é denunciado por feminicídio de esposa capitã da PM em BH
O Ministério Público de Minas Gerais denunciou o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, pelo feminicídio da capitã Michele Leão Azevedo, em Belo Horizonte.
O crime ocorreu em julho, em um contexto de violência doméstica, afirma o Ministério Público. A acusação inclui motivo fútil, meio cruel, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além da circunstância de Michele ser mãe.
A denúncia também atribui ao sargento fraude processual, três crimes de lesão corporal e tráfico de drogas. O Ministério Público afirma que ele agrediu a capitã em pelo menos três ocasiões no mês em que ela morreu, com uso de objetos contundentes.
Na noite de 19 de julho, o casal promovia uma confraternização no apartamento onde vivia. Conforme a denúncia, o sargento questionou Michele de forma agressiva sobre mensagens no celular dela, e convidados intervieram na discussão.
Após a confraternização, na madrugada de 20 de julho, o sargento teria agredido a capitã no quarto do casal com um bastão de madeira. A denúncia aponta também o uso de asfixia, enquanto o laudo de necropsia registrou múltiplas lesões traumáticas e fraturas.
O Ministério Público afirma que o militar alterou a cena do crime depois das agressões. Ele teria retirado lençóis para lavá-los, removido pedaços de madeira do apartamento e apagado mensagens do celular da vítima.
O sargento levou Michele ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, após carregá-la até um veículo. Ela chegou à emergência com lesões traumáticas e traumatismo craniano, mas a avaliação médica constatou que a morte ocorreu horas antes.
Preso em flagrante no hospital, o militar teria descartado uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira. O material foi localizado e apreendido por policiais militares, informa o Ministério Público.
O Ministério Público pediu que Eduardo Abner seja julgado pelo Tribunal do Júri. A Promotoria também solicitou reparação mínima de R$ 50 mil pelos danos do crime e sigilo sobre partes sensíveis do processo.
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.
O Ligue 190 é o número de emergência indicado para quem estiver presenciando uma situação de agressão. A Polícia Militar poderá agir imediatamente e levar o agressor a uma delegacia.
Também é possível pedir ajuda e se informar pelo número 180, do governo federal, criado para mulheres que estão passando por situações de violência. A Central de Atendimento à Mulher funciona em todo o país e também no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita.
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