Pix e TED encontram novas funções no sistema financeiro
Tecnologias que dividem uma mesma função nem sempre disputam espaço.
No caso do Pix, não é que ele tenha colocado o TED em desuso, a novidade apenas o segmentou – um movimento muito natural para o sistema financeiro.
De acordo com as Estatísticas de Pagamentos de Varejo, do Banco Central, o Pix já equivale a 95% da volumetria do total de transações realizadas das transações feitas no país.
Se considerarmos apenas o volume financeiro, o Pix equivale a 42%.
Em geral, percebemos que esse recurso já intimida o percentual de transações do TED.
E faz sentido, o Pix resolveu muito bem o problema de pagamentos de valores menores, principalmente entre pessoas físicas e pequenos negócios.
Porém, isso não aconteceu por acaso: além de a experiência ser melhor, a própria regulação ajudou, com a gratuidade para PFs (e equiparados), o que acelerou muito essa migração inicial.
Ou seja, ao longo dos últimos anos, uma parte relevante das transferências de menor valor saiu das infraestruturas tradicionais e foi para o Pix.
Hoje, o uso de TED nesse tipo de transação tornou-se cada vez menos relevante.
Agora, quando a gente olha para transações de maior valor — principalmente no contexto de médias e grandes empresas — o cenário é outro.
Como se usa TED em 2026? Atualmente, o papel do TED é movimentar quantias grandes, função que colocou essa forma de transferência como a preferida em 35% dos casos.
Esse cenário tem muito menos a ver com limitação do Pix e muito mais com como o financeiro corporativo funciona hoje.
Para ilustrar, vale pensar que muitas empresas operam com sistemas de gestão integrado (ERPs).
Isso significa que há rotinas estruturadas, com contas a pagar, alçadas de aprovação, previsibilidade de caixa, conciliação… não se trata de apenas “fazer um pagamento”: existe toda uma cadeia de governança, que foi construída ao longo dos anos muito ancorada no TED.
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