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Embrapa aposta em trigo transgênico para elevar safra no cerrado

Folha de S.Paulo ·
Embrapa aposta em trigo transgênico para elevar safra no cerrado

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

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O cerrado está à espera de uma variedade transgênica de trigo para dar o arranque na área e no volume de produção. A região, após 40 anos de pesquisa e de seleção do cereal, obtém um trigo com qualidade industrial, boa produtividade e chega ao mercado na entressafra da produção do Paraná e do Rio Grande do Sul, líderes nacionais em produção.

Em 2022, o cerrado obteve o recorde mundial de produção, atingindo 9 toneladas por hectare, ultrapassando a produção da Nova Zelândia. Os dados levam em consideração o ciclo de produção. A região obteve esse volume em 119 dias, enquanto a produção neozelandesa chega a 14 toneladas, mas com duração de 300 dias no processo produtivo.

"Essa qualidade industrial obtida faz com que nosso trigo seja muito procurado", diz Julio Cesar Albrecht pesquisador do programa de melhoramento de trigo da Embrapa Cerrados. A área atual de produção fica próxima de 400 mil hectares, e aponta alguns problemas impeditivos para um alcance maior.

Primeiro, a concorrência do trigo argentino. Para vender produtos industriais para o país vizinho, o Brasil precisa importar trigo argentino, diz o pesquisador.

Segundo, são poucos os moinhos localizados próximos da área de produção na região de Brasília . Eles estão localizados no litoral, e o custo da logística é maior do que o da compra do cereal da Argentina , que dá até um ano de prazo para o pagamento.

Além disso, há problema de armazenamento na região, segundo o pesquisador da Embrapa. Com isso, a região, que poderia estar semeando de 1 milhão a 2 milhões de hectares, permanece em 400 mil.

No cerrado, há a possibilidade de duas safras. A de sequeiro, que é semeada a partir do final de fevereiro, e colhida em junho e julho, e a irrigada, com plantio em maio e colheita entre agosto e setembro.

A cultura do trigo é importante na região não apenas pela produtividade, pela boa qualidade e pelo retorno econômico, mas também pela rotação de cultura.

"O trigo é uma planta supressora de doenças do solo e de pragas", diz o pesquisador da Embrapa.

A rotação de cultura e o benefício da planta no combate a pragas e doenças levam o produtor a semear o trigo sequeiro mesmo diante de possíveis riscos. A cada dez anos, há a possibilidade da perda de duas safras, obter rendimento mais ou menos em três e colher bem em cinco, diz o pesquisador.

Mas o trigo irrigado tem a concorrência de outras culturas mais rentáveis, como hortaliças, milho, cebola, feijão e batata. Essas culturas têm um retorno econômico alto, segundo o pesquisador.

Para reduzir os riscos do trigo sequeiro, muito dependente das chuvas, os pesquisadores da Embrapa estão selecionando materiais tolerantes à seca e ao calor.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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