Seca, calor e perda de lavouras preocupam comunidades do oeste do Pará antes da chegada do El Niño
Seca preocupa comunidades ribeirinhas na Amazônia Reprodução TV Tapajós A seca de rios e igarapés, o calor intenso e a perda de plantações já fazem parte da realidade de comunidades da região de Santarém, no oeste do Pará.
Com a previsão de uma nova estiagem associada ao El Niño em 2026, representantes de movimentos sociais, povos indígenas e comunidades ribeirinhas se reuniram nesta sexta-feira (28) com a Secretaria-Geral da Presidência da República para discutir medidas de preparação e resposta aos possíveis impactos do fenômeno.
Entre os principais temores está o comprometimento da produção de alimentos.
A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santarém, Maria Ivete Bastos dos Santos, relatou que agricultores já enfrentam perdas nas plantações e redução da disponibilidade de água.
“A preocupação já é muito grande, porque os fenômenos já estão acontecendo, de muito calor, perda da nossa plantação, da nossa produção, mais adoecimento nas pessoas, um desequilíbrio ambiental muito grande”, afirmou Maria Ivete.
Segundo ela, a produção de mandioca, um dos principais alimentos das comunidades rurais, já apresenta sinais de escassez.
A redução da produção também ameaça a disponibilidade de manivas, utilizadas para novos plantios. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp “Com isso nos ameaça a nossa soberania e a nossa segurança alimentar”, destacou.
A preocupação não se limita à agricultura.
Para a pesquisadora em hidrologia do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Adriana Cuartas, o El Niño costuma provocar redução das chuvas na Região Norte, acompanhada de temperaturas mais elevadas.
Esse cenário pode afetar o abastecimento de água, a agricultura e aumentar o risco de incêndios florestais.
A redução do nível dos rios também pode prejudicar a navegabilidade, embora a pesquisadora ressalte que ainda não é possível prever com precisão qual será a intensidade desses impactos.
“O quanto e com qual intensidade que ainda a gente não sabe”, explicou Adriana.
Agora no g1 Comunidades pedem preparação antes da seca Para quem vive diretamente nos territórios afetados, a necessidade de preparação não é apenas uma possibilidade futura.
Lucas Tupinambá, membro do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), afirma que os efeitos das mudanças climáticas já são percebidos diariamente nas comunidades indígenas e ribeirinhas.
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