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Atrizes pornô, bebês 'reborn' e mulheres nuas no esgoto marcam a Bienal de Veneza

Folha de S.Paulo ·
Atrizes pornô, bebês 'reborn' e mulheres nuas no esgoto marcam a Bienal de Veneza

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Uma mulher nua acelera um jet ski, dando cavalos de pau nas ondas de uma piscina montada dentro do pavilhão. No pátio do lado de fora, uma garota pelada, só com um tanque de oxigênio nas costas que a mantém respirando debaixo d’água, nos olha submersa em seu aquário alimentado pelo esgoto de dois banheiros químicos —em uso— nas laterais de sua prisão transparente. Uma outra performer se pendura nua de ponta-cabeça e faz as vezes do badalo de um sino, dando as horas, marcando o tempo, firmando a cadência da marcha rumo ao apocalipse.

Mais comentado, amado e odiado dos pavilhões nacionais nesta Bienal de Veneza, na Itália , o espaço da Áustria leva suas mulheres nuas, expostas e despudoradas, a desenhar com o corpo uma alegoria da destruição. Florentina Holzinger, artista radical da performance daquele país, imaginou ali um mundo que afunda nos próprios dejetos, níveis do mar que sobem para nos engolir no lixo —assunto mais candente impossível na cidade flutuante.

Numa ruptura com a placidez que domina a mostra principal agora em Veneza, a energia crua, escatológica e nervosa da obra de Holzinger, punk na raiz, esfrega na nossa cara aquilo que já sabemos. O mundo não vai bem, e sua performance polêmica, apontada como misógina por alguns críticos, grita em vez de sussurrar.

Nesse sentido, não há muita sutileza nas obras dos artistas escalados por seus países com casas nos Giardini e no Arsenale, além de outros endereços da cidade. Não muito longe da Atlântida emporcalhada dos austríacos, o pavilhão da Dinamarca também se ancora às avessas numa potência feminina a desviar o mundo da masculinidade tóxica, os jogos vorazes dos "bromances" da "machosfera".

Maja Malou Lyse, a artista dinamarquesa, se inspirou nas estranhas competições entre homens que apostam corrida com seus espermogramas, vendo quem seria mais fértil a partir da velocidade dos gametas no exame laboratorial, coisa que surgiu nos antros mais sórdidos das redes sociais.

Ela transformou então o pavilhão de seu país numa espécie de clínica de fertilidade hi-tech de um lado e pôs atrizes pornô para encenar, num filme projetado na sala ao lado, como seria repovoar o mundo colapsado num desses laboratórios, em que frágeis homens do futuro, exauridos, precisam de seus estímulos visuais para melhorar a potência reprodutiva.

É um teatro do absurdo. Belas garotas, ou nem tão belas, mas exageradas e moldadas pelo fetiche de grandes peitos e bundas turbinados pelo silicone, tiram a roupa, brincam umas com as outras, se esfregam nos detalhes do cenário. Na acidez corrosiva do humor, Lyse mostra a que ponto chegamos, a vida besta e estéril que nos aguarda se não houver um necessário desvio de rota.

Noutra ponta desse espectro de fim de mundo, também dobrando a aposta no kitsch surreal, está o artista japonês Ei Arakawa-Nash.

Ele encheu o pavilhão de seu país com bonecos que lembram os assustadores bebês "reborn", com o mesmo peso de uma criança real —eles seriam talvez os habitantes desse admirável mundo corroído que os artistas em Veneza agora desenham.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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