Lula testa game baiano sobre Canudos ao sancionar Marco dos Games
O sertão baiano ocupou o centro das atenções no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 14.
Minutos antes de assinar a regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva testou nos bastidores da solenidade o jogo Árida 2, produção do estúdio baiano Aoca Game Lab ambientada na Caatinga do século XIX.Ladeado pela primeira-dama Janja da Silva e pelo fundador da desenvolvedora, Filipe Pereira, Lula assumiu os controles da personagem Cícera, uma jovem sertaneja a caminho de Canudos.Na demonstração, os criadores apresentaram comandos de sobrevivência como colher caju, cortar a vegetação com facão e interagir com cactos e o carcará Canela, ave que acompanha a protagonista.Produtoras na RouanetA experiência foi ressaltada na abertura do evento pela ministra da Cultura, Margareth Menezes.
“Game é cultura, game é audiovisual”, cravou a ministra, defendendo o enquadramento das produtoras em mecanismos como a Lei Rouanet, a Lei do Audiovisual e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).O setor movimenta R$ 13 bilhões ao ano e reúne 115 milhões de jogadores no país, segundo dados do governo.Projeção didáticaA visibilidade na capital federal marca um momento de inflexão para a Aoca Game Lab, referência na descentralização da indústria fora do eixo Sudeste.O primeiro título da franquia Árida já foi traduzido para 16 idiomas e é utilizado como recurso pedagógico em escolas brasileiras para o ensino de História, Geografia e Literatura.O estúdio prepara agora o lançamento de ÁRIDA 2: Rise of the Brave, desenvolvido a partir de expedições de campo no Santuário de Monte Santo (BA).Para Victor Cardozo, diretor de operações (COO) da Aoca, o marco regulatório soluciona gargalos estruturais do mercado independente.“O avanço vai permitir à produção nacional ter acesso a kits de desenvolvimento das principais plataformas com mais facilidade, isenções e agilidade.Além disso, a categoria fiscal vai possibilitar redução de tributos e contabilidade mais clara”, avaliou Cardozo, classificando a medida como um programa robusto de pesquisa e financiamento.
Exportação de inteligênciaNo discurso oficial, Lula elogiou o resgate da memória nacional por meio da tecnologia e defendeu a diversificação da pauta exportadora brasileira.“Acho extraordinário a gente fazer um game com as histórias brasileiras.
Por que eu tenho que contar uma história americana, chinesa ou francesa se eu posso contar uma história brasileira?”, declarou o presidente, ironizando que, por já ter lido três livros e visitado a região, sente-se “parente de Antônio Conselheiro”.Lula completou ressaltando a mudança no perfil econômico: “O Brasil não pode ser o eterno país exportador de soja e milho.
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