Contra Flávio, Sindifisco fala em risco de ingerência na Receita Federal
O Sindifisco Nacional , sindicato que representa os auditores-fiscais da Receita Federal, divulgou nesta 5ª feira (15.out.2026) uma nota com críticas ao governo de Jair Bolsonaro, diante da disputa presidencial de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL).
A entidade defende a autonomia da Receita Federal e a independência técnica das instituições públicas.
O documento (leia a íntegra abaixo) cita episódios ocorridos durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), como o caso das joias sauditas e as investigações sobre a chamada Abin Paralela , para alertar sobre os riscos de interferências políticas na administração tributária.
“A história recente da Receita Federal, em especial durante o governo de Jair Bolsonaro, oferece exemplos concretos dos riscos que surgem quando interesses políticos e particulares interferem no funcionamento das instituições”, afirma a entidade.
O sindicato classificou como “gravíssimos” episódios como as pressões sobre auditores-fiscais no caso das joias sauditas e afirmou que situações dessa natureza não devem se repetir.
A manifestação também defende a proteção dos funcionários públicos no exercício de suas atribuições e condições para que os auditores-fiscais atuem sem ameaças, constrangimentos ou interferências indevidas.
No caso das joias milionárias trazidas da Arábia Saudita e retidas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o sindicato destaca a resistência de auditores-fiscais a pressões para liberar as peças, inclusive de integrantes da própria estrutura hierárquica da Receita Federal.
Para o Sindifisco, nenhum auditor deve ter de escolher entre cumprir a lei e atender a interesses particulares de autoridades.
A entidade defende autonomia técnica, prerrogativas funcionais e segurança no exercício do cargo.
ABIN PARALELA A nota cita relatório da Polícia Federal que descreveu iniciativas para obter informações comprometedoras sobre funcionários públicos relacionados às investigações das chamadas “rachadinhas”.
O sindicato também cita interferências políticas nas áreas de Inteligência e na Corregedoria da Receita Federal e defende a independência dessas áreas para apurar irregularidades e evitar perseguições funcionais .
COMBATE AO CRIME ORGANIZADO O Sindifisco cita a operação Carbono Oculto para destacar a importância da inteligência fiscal no combate à lavagem de dinheiro , à ocultação patrimonial e ao financiamento de organizações criminosas.
Segundo a entidade, a integração da Receita com outros órgãos permite identificar estruturas econômicas complexas e movimentações financeiras bilionárias.
Por isso, os auditores devem atuar sem ameaças ou interferências, inclusive em casos que envolvam autoridades públicas.
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