Circuito de festivais determina carreira de longas-metragens em todo o mundo
Um leão alado. Uma cidade flutuante. Nesse cenário de símbolos tão característicos de um dos destinos mais particulares e famosos do mundo, se dará a estreia mundial do primeiro longa dos realizadores gaúchos Márcio Picoli e Victor Di Marco. O filme queer “London” foi selecionado para a prestigiada Semana da Crítica da 83ª edição do Festival de Veneza, na Itália, e a notícia foi bastante celebrada no mês passado.
Na trama, um jovem com deficiência chamado London ganha a vida fazendo performances eróticas em uma casa de fetiches e tem a chance de descobrir a origem e o destino de sua deficiência através de um exame médico. Com os resultados em mãos, o jovem vai ter que decidir se sua vida será guiada por um diagnóstico ou se vai seguir seus sonhos.
“A gente vai, sim, abrir uma nova forma e um novo olhar para um filme brasileiro e também para um filme gaúcho”, diz Picoli sobre a seleção. Mas, além de simplesmente comemorar esta que já é uma conquista, é importante lembrar que esse voo da produção para alcançar um grande espaço de visibilidade teve um trajeto com mais obstáculos a serem superados – e outros ainda que se seguirão na forma como está configurado o nosso mercado audiovisual brasileiro.
“A gente não chegou em Veneza por sorte, a gente chegou em Veneza porque a gente foi costurando os caminhos até lá. Hoje em dia, nesses grandes festivais, você não entra só porque você é bom. Você entra, sim, porque o seu filme é bom, mas também porque você foi atrás, deu um jeito de alguém prestar atenção em você. E isso é um trabalho de produção”, complementa o diretor.
Por que resgatar essa trajetória, perguntar aos realizadores como foi o caminho dessa obra, o papel da crítica, do circuito de festivais nessa realização? Pois o Festival de Cinema de Gramado está começando , e, exatamente há um ano, os roteiristas e diretores foram homenageados na Serra gaúcha. Eles receberam o Prêmio Iecine de Inovação, pelo “olhar original sobre o universo PCD” e pela “tradução cinematográfica profunda do sentido da palavra acessibilidade” – distinção que agora em 2026 será entregue a Márcio Reolon e Filipe Matzembacher (em cerimônia no Palácio dos Festivais na próxima sexta-feira (21).
Além disso, o primeiro curta dos dois, “O que pode um corpo?”, já recebia Prêmio Especial do Júri na edição pandêmica de 2020, no mesmo evento. O título ainda saiu destacado do Kinoforum, em sua estreia, e no CinePE, recebendo, posteriormente, indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Curta-Metragem Documentário daquele ano.
Porém, foi ainda antes, em 2018, que Gramado foi o solo determinante para essa jornada de projetos que se seguiria, porque foi em um festival, no Hotel SerrAzul, que eles conheceram a produtora Laura Moglia, conforme ela relembra: “Ali ficamos conversando por um tempo sobre cinema e as nossas dificuldades enquanto realizadores e produtores de conseguir ‘furar a bolha’ do audiovisual.
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