Reforma tributária pode custar caro ao pequeno fornecedor
A reforma tributária vai alterar a relação entre grandes empresas e seus fornecedores de menor porte.
Em entrevista à Jovem Pan, Cláudio Fernandes, CEO da Midas, avalia que negócios despreparados para as novas regras correm o risco de perder espaço nas cadeias de fornecimento.
Segundo ele, empresas de médio e grande porte já se movimentam para entender os efeitos da mudança, mas boa parte dos pequenos empresários ainda não percebeu o que está em jogo.
O cerne do problema está na nova dinâmica dos créditos tributários.
Dependendo da operação, o imposto destacado na nota fiscal passa a gerar crédito para quem contrata, o que significa que duas empresas com o mesmo serviço e o mesmo preço podem deixar de ser equivalentes aos olhos do cliente.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o “Raio-X do Simples Nacional em 2025”, mostra que mais de 70% das empresas optantes pelo Simples Nacional não vendem diretamente ao consumidor final, atuando em operações entre empresas, justamente onde a geração de créditos tributários pode pesar na escolha de fornecedores.
Setores como confecções e logística aparecem entre os mais expostos.
Se uma marca precisa contratar um serviço e tem duas opções ao mesmo preço, passa a considerar também o crédito que conseguirá aproveitar em cada uma.
O fornecedor despreparado para essa conta pode se tornar menos interessante mesmo sem alterar o valor cobrado, o que ameaça contratos de manutenção e de serviços especializados construídos ao longo de anos.
Cláudio defende que, em vez de tratar fornecedores desalinhados como um problema a ser cortado, as grandes companhias deveriam ajudá-los a se adequar aos novos processos fiscais.
“Você não tem que se preocupar em quem vai te trazer impacto econômico, tem que se preocupar em como ajudar essas empresas”, diz o CEO.
Segundo ele, alguns grupos empresariais já comunicam fornecedores sobre prazos de adequação, com risco de substituição para quem não atender às novas exigências, movimento que a Midas considera equivocado e prefere endereçar com apoio à transição em vez de corte.
O prazo de setembro de 2026 fica mais concreto A janela de decisão citada por Cláudio deixou de ser uma referência genérica.
Pela Resolução CGSN nº 186/2026, o prazo de opção pelo Simples Nacional para 2027 foi antecipado e passa a ocorrer entre 1º e 30 de setembro de 2026.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.