Peixe venenoso avança na Bahia, e quase 500 exemplares são retirados do mar
Quase 500 peixes-leão ( Pterois volitans ) foram retirados do litoral de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, ao longo de cerca de um mês. A captura faz parte das ações adotadas no município para tentar conter o avanço da espécie invasora, considerada uma ameaça aos ecossistemas marinhos.
O balanço foi divulgado pela assessoria da Prefeitura de Porto Seguro. A iniciativa envolve pescadores da região e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac).
A preocupação com o animal levou o município a elaborar um Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão. O documento foi publicado no Diário Oficial de Porto Seguro em 13 de agosto e reúne medidas de monitoramento, captura, pesquisa e prevenção de acidentes.
Segundo o plano municipal, a primeira ocorrência de peixe-leão foi confirmada em junho de 2026. O registro aconteceu no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, uma das principais áreas protegidas de Porto Seguro.
O município considera que a invasão ainda está em estágio inicial e, por isso, aposta na detecção precoce e na retirada rápida dos animais. Pescadores, mergulhadores e outros usuários do ambiente marinho estão entre os grupos envolvidos na estratégia.
Nas áreas costeiras fora do parque, o plano prevê a possibilidade de um programa temporário de entrega bonificada. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, os pescadores recebem R$ 10 por exemplar entregue, embora esse valor não esteja especificado no documento publicado no Diário Oficial.
A prefeitura prevê ainda avaliar futuramente se o pescado pode ser aproveitado para consumo humano e inserido na cadeia produtiva, desde que sejam atendidos critérios sanitários, ambientais e econômicos.
O animal também é um predador generalista. Ao consumir peixes e invertebrados nativos, pode reduzir populações locais, afetar o equilíbrio dos recifes e trazer reflexos para a pesca. O próprio plano de Porto Seguro cita possíveis prejuízos à biodiversidade, à atividade pesqueira, ao turismo e à segurança de pessoas que frequentam o ambiente marinho.
O perigo está principalmente nos espinhos do animal. Um peixe-leão adulto pode apresentar até 18 espinhos venenosos. O Plano Municipal de Porto Seguro classifica essas estruturas como um risco para pescadores, mergulhadores e outras pessoas que tenham contato com a espécie.
A inoculação do veneno pode provocar dor intensa e outros sintomas. Órgãos públicos de saúde também registram a possibilidade de náuseas e, em situações mais graves, convulsões após acidentes com o animal.
A orientação é evitar tocar no peixe-leão e procurar atendimento médico caso ocorra uma perfuração pelos espinhos. Além da retirada dos animais, o plano de Porto Seguro prevê capacitação de pescadores e mergulhadores, campanhas de orientação e articulação com a rede municipal de saúde para atendimento de eventuais acidentes.
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