Caso Lulinha põe campanha de Lula sob pressão: o que PF investiga sobre filho do presidente e ex-chefe de gabinete
A pouco menos de dois meses das eleições, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha , virou um dos principais alvos de ataques de seus adversários e um dos principais pontos de preocupação da sua equipe de campanha.
Lulinha é investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal.
A PF quer saber, por exemplo, se Lulinha se associou a uma lobista e usou o fato de ser filho do presidente para ajudar, indevidamente, empresas privadas a obterem contratos públicos.
Em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (27/8), Lula classificou as acusações como "ilações".
"Ali não tem nenhuma acusação. São ilações, ilações, ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi isso", afirmou o presidente, referindo-se à Operação Lava-Jato, que o levou à prisão.
Mas Lula tem dito que não vai impedir as investigações da PF contra Lulinha.
"Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro. Eu não vou afastar a delegado da Polícia Federal. Eu não vou fazer qualquer movimento para que meu filho seja beneficiado", afirmou
As investigações também vêm sendo mencionadas constantemente pelos principais adversários de Lula à reeleição, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , que aparece em segundo lugar nas principais pesquisas de intenção de voto .
Procurada, a defesa de Lulinha disse à BBC News Brasil que não responderá a "questões de fatos e de mérito feitas com base em relatórios iniciais da polícia" e que "a inocência de Fábio será provada primeiro no lugar adequado, que é o processo".
Os inquéritos envolvendo Lulinha estão correndo no Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que fossem enviados à primeira instância.
O argumento é de que, como não ocupa cargos políticos com foro privilegiado junto ao STF, não haveria motivos para que as investigações tramitassem no Supremo. A Corte, no entanto, ainda não deferiu o pedido.
"Se o Fábio não fosse filho do presidente, nem sequer haveria esse pedido para ser remetido para a primeira instância. Na verdade, ele estaria arquivado", disse o advogado Marcos Aurélio Carvalho, que defende Lulinha, à BBC News Brasil.
Mas o caso envolvendo Lulinha tem outro personagem também próximo ao presidente Lula: o seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Ele apareceu no radar da PF durante as investigações de suposto tráfico de influência, depois que investigadores identificaram que ele teria tido despesas pagas por uma lobista próxima a Lulinha.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.