Deeptehc Doroth capta R$ 23M em rodada liderada pela Loccus
Doroth recebe 23 milhões de reais em investimento capitaneado pela Loccus
Uma empresa brasileira de tecnologia avançada focada em dispositivos que reduzem e simplificam processos de análise molecular conseguiu atrair um aporte significativo para acelerar sua expansão. A Doroth, que opera na área de microfluídica aplicada a testes e diagnósticos moleculares, obteve 23 milhões de reais em uma rodada de financiamento coordenada pela Loccus, organização também brasileira que atua nos campos de biotecnologia, equipamentos científicos e soluções para diagnóstico molecular. O investimento combina recursos de investidores privados com apoio de duas agências públicas de fomento à pesquisa e inovação: a Finep e a Fapesp.
A parceria e seus objetivos estratégicos
A decisão da Loccus de liderar este investimento está fundamentada em uma complementaridade estratégica entre as duas empresas. Conforme explicou o executivo responsável pela Loccus, as duas organizações possuem características que se completam e criam oportunidades de sinergia. Enquanto a Loccus dispõe de capacidades consolidadas em produção e inovação, com orientação marcante para as áreas de saúde humana e saúde veterinária, a Doroth acumula um repertório profundo de conhecimento científico graças à atuação de pesquisadores de alto nível em sua equipe. Contudo, a Doroth enfrentava limitações em sua capacidade de transformar essas descobertas científicas em produtos que pudessem ser produzidos em larga escala, ainda que demonstrasse competência em obter financiamento público para seus projetos de pesquisa e desenvolvimento.
A fusão dessas competências distintas cria oportunidades interessantes para ambas as partes. A Loccus contribuirá com infraestrutura fabril, processos estabelecidos, conhecimento técnico-científico acumulado, capacidade de produção industrial e expertise em questões regulatórias. Já a Doroth permanecerá concentrada na inovação e no desenvolvimento de novos produtos, além de continuar buscando financiamento público para suas iniciativas de pesquisa. O arranjo permite que as duas empresas utilizem a mesma estrutura produtiva e que a Doroth acesse os canais de distribuição já construídos pela Loccus, reduzindo o tempo necessário para levar inovações do laboratório até os clientes finais.
Aplicações da tecnologia e impacto esperado
Os recursos obtidos serão direcionados para expandir as operações de pesquisa, desenvolvimento e manufatura da Doroth. Um objetivo específico é construir uma instalação dedicada à fabricação de chips microfluídicos que incorporem reagentes desenvolvidos pela própria empresa. Esses chips representam a miniaturização de procedimentos laboratoriais complexos em plataformas diminutas, potencialmente revolucionando como testes moleculares são realizados.
A meta declarada é transformar tecnologias desenvolvidas integralmente em território brasileiro em produtos que possam ser fabricados em escala comercial viável. Atualmente, muitos dos reagentes e sensores necessários para esses tipos de testes são importados, gerando dependência de fornecedores externos. Com a nova indústria, há potencial para reduzir essa dependência e, simultaneamente, democratizar o acesso a diagnósticos moleculares descentralizados para o setor do agronegócio. Testes moleculares realizados diretamente no local onde são necessários, sem depender de laboratorios centralizados, podem aumentar a eficiência operacional e reduzir custos para produtores rurais e empresas do setor agropecuário.
A integração das duas empresas também deve acelerar o desenvolvimento de novos testes diagnósticos e expandir a produção de equipamentos, chips e reagentes. Além disso, a operação visa fortalecer uma cadeia tecnológica nacional que englobe desde componentes básicos como enzimas e testes moleculares até elementos mais sofisticados como sensores, instrumentos automatizados e sistemas microfluídicos reutilizáveis.
Contexto da tecnologia e do mercado
Para compreender a relevância desta operação, é importante contextualizar o que é a tecnologia em questão e por que representa um avanço significativo. A microfluídica é um campo científico que se dedica ao manipulação e controle de fluidos em volumes extremamente reduzidos, tipicamente na escala de microlitros ou até menos. Aplicada a diagnóstico molecular, essa tecnologia permite que processos que tradicionalmente exigiam equipamentos grandes, caros e centralizados possam ser executados em dispositivos portáteis.
Um chip lab-on-a-chip é essencialmente um dispositivo que integra múltiplas funções de laboratório em uma plataforma minúscula, geralmente não maior que alguns centímetros quadrados. Esse tipo de tecnologia tem aplicações em diagnóstico de doenças, análise genética, testes veterinários e monitoramento ambiental, entre outros campos. A vantagem central reside na capacidade de realizar análises precisas em ambientes descentralizados, sem necessidade de infraestrutura laboratorial complexa.
A Doroth, fundada em 2019 e sediada em Piracicaba, no interior de São Paulo, representa um exemplo da chamada deeptech brasileira, isto é, empresas que desenvolvem tecnologias profundas baseadas em pesquisa científica avançada. A empresa reúne profissionais com expertise em múltiplas disciplinas: biologia molecular, microfluídica, engenharia, eletrônica, óptica, automação e desenvolvimento de software. Essa multidisciplinaridade é característica de empresas que trabalham com tecnologias complexas, pois o desenvolvimento de um chip microfluídico funcional exige conhecimento integrado de várias áreas.
A Loccus, por sua vez, é uma organização consolidada no Brasil no campo de biotecnologia e diagnóstico molecular, com capacidades reconhecidas em produção e inovação. A empresa já possui estruturas industriais e processos estabelecidos, o que seria custoso e demorado para a Doroth construir isoladamente.
O que acompanhar
Nos próximos períodos, há vários desdobramentos importantes que podem indicar como essa parceria está evoluindo. Um primeiro indicador será o progresso na construção da indústria de chips microfluídicos anunciada. O cronograma de implementação dessa fábrica dirá muito sobre a velocidade com que as duas empresas conseguem integrar suas operações e começar a produção em escala.
Outro ponto a monitorar é o lançamento de novos produtos derivados dessa parceria, particularmente testes diagnósticos destinados ao agronegócio. O texto menciona que há expectativa de acelerar o desenvolvimento de novos testes, portanto, anúncios sobre esses produtos serão indicadores do sucesso da integração.
A expansão da produção de reagentes e sensores também é relevante. Se a Doroth conseguir realmente reduzir a dependência de importações de reagentes e sensores, isso representará um avanço significativo não apenas para a empresa, mas para a cadeia tecnológica nacional como um todo.
Finalmente, vale acompanhar como essa operação impacta o ecossistema de deeptech brasileiro. O sucesso da Doroth em transformar pesquisa científica em produtos comerciais, especialmente com apoio de agências de fomento como Finep e Fapesp, pode servir como modelo para outras empresas que enfrentam desafios similares de escala e produção.
Principais pontos:
• A Doroth captou R$ 23 milhões em rodada liderada pela Loccus, combinando capital privado com recursos de agências de fomento à pesquisa como Finep e Fapesp.
• A parceria busca unir a capacidade de pesquisa e inovação da Doroth com a infraestrutura de produção e distribuição da Loccus para acelerar a chegada de produtos ao mercado.
• Os recursos serão investidos na construção de uma indústria de chips microfluídicos com reagentes proprietários, reduzindo dependência de importações e ampliando acesso a diagnósticos descentralizados no agronegócio.
• A integração das duas empresas visa fortalecer uma cadeia tecnológica nacional que cubra desde enzimas e ensaios moleculares até sensores, instrumentos automatizados e consumíveis microfluídicos.
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