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Neurocientista e psicóloga celebram primeiro casamento homoafetivo da Bolívia

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Neurocientista e psicóloga celebram primeiro casamento homoafetivo da Bolívia

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Em 2022, Fabiana Justiniano e Scarlett Rocha estavam apaixonadas, morando juntas e prontas para assumir novos compromissos no relacionamento. Casamento, porém, não estava nos planos —elas moram na Bolívia , onde o matrimônio igualitário não é reconhecido.

As perspectivas mudaram naquele mesmo ano, durante um evento para o público LGBTQIA+ em Santa Cruz de la Sierra, onde vivem. "Sabem o que me chama a atenção?", disse na ocasião uma palestrante, segundo Fabiana. "É que até hoje nenhum casal de pessoas do mesmo sexo solicitou casamento à Justiça do país."

A princípio, a ideia era fazer apenas uma união livre, algo que é permitido para casais do mesmo sexo na Bolívia desde 2023, quando o Tribunal Supremo Eleitoral garantiu o equivalente a união estável para a comunidade LGBT+ do país.

Foi o início de uma odisseia que terminou no último dia 7 de agosto, quando elas se tornaram o primeiro casal de pessoas do mesmo sexo a celebrar um casamento na conservadora nação. A conquista, embora individual, pode abrir portas para outros casamentos LGBT+, como ocorreu com a união estável.

Fabiana e Scarlett, uma neurocientista que cresceu entre Bolívia e Estados Unidos , conheceram-se por amigos em comum há quatro anos.

"Lembro que, quando nos conhecemos, eu só queria fazer amigos", conta a psicóloga. Bastaram algumas semanas e uma ida a um restaurante durante a madrugada para que ela mudasse de ideia.

"Ela começou a cantar enquanto dirigia, estava de noite", conta Fabiana. "A lua brilhava lá fora", completa Scarlett, rindo. E a esposa conclui: "Eu me lembro exatamente, porque percebi naquele momento que gostava daquela garota".

A luta pelo casamento foi menos espontânea. O primeiro passo do casal, naquele momento instruído apenas por colegas, foi mandar uma carta ao diretor do serviço de cartório de Santa Cruz de la Sierra pedindo o casamento com base na "estrita conformidade" com seus direitos constitucionais e em uma declaração da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Elas enfrentaram toda sorte de obstáculos desde então: envios de inúmeros documentos, falta de retorno dos órgãos competentes e até mesmo um funcionário dizendo que o casamento seria imoral. "Foram quatro anos ouvindo 'sim, amanhã'", diz Fabiana sobre a demora no processo.

Em março deste ano, um tribunal de La Paz concluiu que os direitos do casal haviam sido violados em Santa Cruz de la Sierra e que suas certidões de casamento deveriam ser emitidas pelo serviço de cartório —o que ocorreu apenas neste mês.

Eram atos de hostilidade que elas já haviam enfrentado em suas vidas privadas. "Você cresce vendo isso como um problema e, obviamente, não quer ser discriminado", diz a psicóloga, que pensou ser assexual ou até mesmo ter problemas hormonais antes de cogitar que era lésbica, com mais de 20 anos.

Scarlett, por sua vez, já sabia desde nova sua orientação sexual e teve seu primeiro relacionamento com uma mulher, com cerca de 15 anos. O acolhimento que recebeu da família paterna, nos EUA, não se repetiu na Bolívia, conta ela.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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