Como as campanhas de Lula e Flávio reagiram à subida de Cury em pesquisas
As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) minimizaram e avaliaram com ceticismo o avanço de Augusto Cury nas pesquisas de intenção e voto para presidente divulgadas hoje.
Augusto Cury (Avante) cresceu em duas pesquisas presidenciais divulgadas hoje. Na Atlas/Intel, ele aparece em terceiro lugar com 7,8% dos votos no primeiro turno, atrás apenas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e numericamente à frente de Renan Santos, que alcançou 7,6%. No levantamento de julho, Cury aparecia com 1,6%. Enquanto isso, na BTG/Nexus, ele cresceu 9 pontos, aparecendo com 11% nos dois cenários estimulados de primeiro turno.
Campanha de Lula (PT) diz que está monitorando o crescimento de Cury nas redes sociais e nas pesquisas, mas não deve traçar nenhuma estratégia focada no candidato. A leitura da campanha petista é de que Cury divide o campo da direita e não chegou, pelo menos por enquanto, aos eleitores do presidente.
Coordenação da campanha suspeita que o crescimento de Cury nas redes sociais sofra influência de robôs. No entanto, ainda há um trabalho em andamento para compreender o o restulado e não há demandou, até o momento, de nenhuma ofensiva dos lulistas.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o avanço de Cury reflete uma briga natural pela liderança do "segundo pelotão" de candidatos. A avaliação é que Cury tira votos dos rivais da direita —Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão)— e que a votação individual se mostra pouco expressiva. Para o PL, o candidato do Avante é, portanto, uma ameaça para aqueles que querem se colocar como terceira via, e não para os melhores colocados nas pesquisas —Lula e o próprio Flávio. Em suma, Cury é, neste momento, "o maior dos nanicos" , resume um aliado de Flávio.
Campanha de Flávio faz cálculos para o segundo turno e vê chances de somar votos da direita. Por enquanto, a avaliação é que o desempenho de Cury não parece atrapalhar a estratégia.
Cury pode inviabilizar projeto petista de vitória no primeiro turno, diz o cientista político Beto Vasquez. Para o especialista, a avaliação da campanha é parcial e esconde dois problemas que Lula pode enfrentar caso a candidatura de Cury prospere. Um deles é a expectativa de vencer Flávio já no primeiro turno —como mencionou em discurso em Salvador na última sexta-feira.
O outro problema para os petistas é que Cury possa criar um "bolsão de votos" para Flávio. "Ele pode atrair os votos brancos, nulos e abstenções e depois despejar esse eleitorado na candidatura de Flávio. Mas há de se ver se esse fenômeno permanece no tempo, aguenta o escrutínio da opinião pública ou se ele vai murchar", afirmou Vazquez, que é coordenador do Laboratório de Opinião Pública da Fesp e diretor do Instituto Democracia em Xeque.
Renan Santos (Missão) também não demonstra preocupação com o crescimento do adversário. Questionada pelo UOL , a assessoria do candidato respondeu que esse avanço de Cury "passa a impressão que o eleitor despolitizado quer ver influencers como embaixadores brasileiros" e "drones para combater o feminicídio". Ambas as propostas foram citadas por Cury no último sábado (29) na sabatina da TV Globo apresentada no Jornal Nacional.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.