Campanha de Lula vê Cury longe e beliscando eleitores de Flávio
A campanha do presidente Lula (PT) está monitorando o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas redes sociais e nas pesquisas, mas não deve tomar nenhuma medida para combater o candidato. A leitura da campanha petista é de que Cury divide o campo da direita e não chegou —pelo menos por enquanto— aos eleitores do presidente.
Sobre as redes sociais, há a suspeita na coordenação da campanha de que o crescimento de Cury não seja todo orgânico e que sofra influência de robôs. Mas é um trabalho ainda em estudo e não demandou, até o momento, nenhuma ofensiva dos lulistas.
Para o cientista político Beto Vasquez, a leitura feita pela campanha do PT é parcial e esconde dois problemas que Lula pode enfrentar caso a candidatura de Cury prospere. "Seria bom o PT botar as barbas de molho. O crescimento de Cury pode inviabilizar o projeto petista de uma vitória no primeiro turno", disse ele. Na sexta-feira, o presidente chegou a discursar em Salvador que a proposta era vencer Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno.
O outro problema para os petistas é que Cury possa criar um "bolsão de votos" para Flávio. "Ele pode atrair os votos brancos, nulos e abstenções e depois despejar esse eleitorado na candidatura de Flávio. Mas há de se ver se esse fenômeno permanece no tempo, aguenta o escrutínio da opinião pública ou se ele vai murchar", afirmou o cientista político, coordenador do Laboratório de Opinião Pública da FESP e diretor do Instituto Democracia em Xeque.
Nos últimos dias, Cury ganhou mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, plataforma em que chega a 10,7 milhões. Esse crescimento também se reflete nas pesquisas, como a Atlas Intel divulgada hoje. No levantamento de julho, o psiquiatra tinha 1,6% das intenções de voto. Agora, subiu 6,2 pontos, atingindo 7,8% dos eleitores e empatando tecnicamente em terceiro lugar com Renan Santos (Missão), que soma 7,6%.
Para os petistas, Cury é uma preocupação maior para os candidatos do campo da direita e extrema direita. Deixou para trás os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). A pesquisa da Atlas mostra que, entre Flávio e Lula, o senador foi quem mais perdeu eleitores ante esse crescimento de Cury: passou de 35,8% para 33,7%. Lula foi de 45% para 43,5% e continua liderando no primeiro turno. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos.
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