Josias: Campanha do PT poderia repassar informações de forma mais sóbria
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A campanha do presidente Lula (PT) poderia ter dado informações sobre Flávio Bolsonaro (PL) "de forma mais sóbria", disse o colunista Josias de Souza no UOL News , do Canal UOL.
Ele comentou a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, que mandou tirar do ar uma propaganda petista com o "currículo" do adversário e abriu caminho para discutir um eventual direito de resposta. Josias disse que a peça de campanha não apresentou nenhum mentira contra Flávio, mas o fez de forma descontextualizada.
Pode-se considerar que as informações poderiam ser repassadas de forma mais sóbria, mas o envolvimento dele com a rachadinha, com milícia, com o Vorcaro, isso é dado da realidade. Então vamos ver se o plenário vai referendar, há uma chance de que referende, vamos ver que direito de resposta o tribunal vai aprovar. Agora, isso é chumbo trocado que vai durar durante toda a eleição. Já tem lá também reclamações do PT em relação à campanha do Flávio. Isso não vai acabar agora com esse episódio, não. Ao contrário, isso vai se acentuar. Josias de Souza
Para Josias, a peça já produziu o efeito político esperado, mas a decisão do TSE aponta para um entendimento mais amplo sobre desinformação eleitoral: não só a mentira "fabricada", como também a distorção na forma de apresentar um fato.
Ele explicou que a ministra considerou que o vídeo pode induzir confusão ao tratar Flávio como "denunciado" sem deixar claro que a denúncia foi arquivada por questões processuais, sem julgamento do mérito. Na avaliação de Josias, a propaganda "faz crer" que ainda haveria um julgamento por ocorrer.
Josias afirmou ainda que o embate tende a se repetir na eleição, com pedidos de resposta de lado a lado, porque ataques em propaganda funcionam como tentativa de pregar um pecha nos adversários. Na leitura dele, o TSE vai precisar analisar novas peças e decidir até onde vai o limite entre crítica e descontextualização.
O jurista e colunista Wálter Maierovitch concordou que a campanha precisa calibrar os termos para não criar uma impressão errada no eleitor. Para ele, se a propaganda fala em "denúncia" e "ação penal", tem de explicar o que aconteceu com o caso.
Se se fala numa denúncia, numa ação penal, tem que ter uma forma, tem que se colocar. Olha, ocorreu isto, ele foi efetivamente denunciado, mas por questões formais, por vícios processuais, isso não andou. Mas o mérito não foi julgado. Se eu uso a palavra equivocada, a pessoa fala: "Mas tá denunciado". Olha, tá denunciado por lavagem de dinheiro e não tá. Esse é o problema do termo errado. Wálter Maierovitch
Maierovitch também destacou que a ministra pediu para ver por escrito o teor de uma eventual resposta antes de liberar o direito, para evitar que a réplica vire uma "mentira deslavada". Para ele, o episódio serve como alerta para que campanhas adotem "cautela" e terminologia correta.
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