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Perguntei a três IAs se redes podem manipular a eleição. 'Sim', responderam

UOL Notícias ·
Perguntei a três IAs se redes podem manipular a eleição. 'Sim', responderam

Fiz a mesma pergunta a três das inteligências artificiais mais usadas do mundo: "Uma plataforma conseguiria manipular o debate em sua rede social favorecendo um candidato e prejudicando outro sem que a maioria dos usuários percebesse?". O ChatGPT, da OpenAI, o Claude, da Anthropic, e o Gemini, do Google, deram a mesma resposta já na primeira palavra: sim.

A pergunta foi feita em modo temporário ou incógnito, tendo desligado todas as preferências, em conta de perfil profissional, com nível de pensamento elevado, pedindo para expor as fontes e como elas chegaram à conclusão.

Nenhuma delas começou com "depende" ou "é um tema complexo". Num país em que não há consenso nem sobre o formato da Terra, três sistemas criados por empresas concorrentes, treinados de formas diferentes, chegaram ao mesmo diagnóstico. Isso deveria preocupar, ainda mais agora, com o segundo turno batendo à porta.

O motivo de a manipulação passar despercebida também foi apontado pelas três, cada uma com suas palavras.

O Claude resumiu bem a armadilha: como cada pessoa vê um feed diferente, não existe uma versão "neutra" para comparar, e o usuário "só vê o que aparece, nunca o que deixou de aparecer". O Gemini foi na mesma linha e lembrou que ninguém tem um padrão fixo para dizer que deveria haver mais conteúdo de determinado candidato na sua tela. Quando um post some, a pessoa culpa a si mesma: "eu não interagi, por isso sumiu". O ChatGPT acrescentou que cada usuário enxerga apenas uma fatia minúscula do que acontece na plataforma, e por isso dificilmente perceberia, olhando só o próprio feed, que alguns conteúdos estão sendo favorecidos de forma sistemática.

Ou seja, ninguém precisaria apagar post nem banir conta, que é o tipo de coisa que gera manchete e processo. Bastaria mexer no volume.

E é aí que as respostas ficam desconfortáveis. O Gemini foi o mais detalhista ao descrever como isso poderia ser feito. Afirmou que isso passaria em reduzir de 10% a 20% o alcance orgânico de um candidato e inflar o do adversário na mesma proporção. Também falou em usar o preenchimento automático das buscas para associar termos negativos a um nome e termos neutros ou positivos a outro, e em mexer nos critérios dos assuntos do momento, que pautam a imprensa e os influenciadores.

A mais sofisticada das estratégias que listou é a desmobilização: entregar conteúdo que gera desilusão e desinteresse cívico à base de um candidato e conteúdo energizante e de esperança ao eleitorado do outro. Não é preciso mudar o voto de ninguém. Basta convencer uma parte das pessoas de que não vale a pena sair de casa no domingo.

Há uma ironia amarga em ouvir isso justamente do Gemini, produto de uma empresa dona do maior buscador do planeta e do YouTube. É como pedir ao dono da padaria que explique como seria possível mexer na receita do pão sem que o freguês notasse. Isso não significa que ele faça, mas ele sabe muito bem como faria.

O Claude chamou atenção para outro ponto. Cada uma dessas decisões, como o peso dado a certos temas, o shadowban silencioso, as sugestões de busca e a moderação mais rigorosa com um lado do que com o outro, pode ser justificada como técnica ou "de qualidade".

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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