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Ciência

Dons ou doenças? O normal e o patológico sob a ótica da ficção

Galileu ·
Dons ou doenças? O normal e o patológico sob a ótica da ficção

Muitas teorias tentam explicar os transtornos mentais: da psicanálise ao behaviorismo, das teorias cognitivas à fenomenologia.

Confesse ou não, nenhuma delas dá conta sozinha de englobar a complexidade do que é o comportamento humano patológico.

E, curiosamente, a maioria delas não leva em conta, ao menos não de forma profunda, uma verdade inescapável do psiquismo humano: por trás da complexidade psicológica que emerge dos cérebros humanos há, com perdão da redundância, um cérebro.

Um órgão cuja existência física é inegável, cujo funcionamento bioquímico é evidente.

Um órgão biológico, enfim.

E, para citar a já batida frase de Theodosius Dobzhansky, geneticista ucraniano radicado nos EUA, “Em biologia nada faz sentido a não ser à luz da evolução”.

Essa lacuna é preenchida pela Psiquiatria Evolutiva.

Assim como as outras teorias, ela também não esgota o assunto sozinha, não explica plenamente os transtornos mentais; mas, a bem da verdade, ela nem tenta.

Antes, é inclinada a integrar os postulados de outras teorias, compreendendo-os à luz da evolução.

E, embora seja limitada por não propor tratamentos, ela pode ter, sim, uma função terapêutica, dentro do que se chama cura simbólica.

Menos do que intervenções físicas ou farmacológicas, a cura simbólica ajuda os pacientes a partir da compreensão do que está acontecendo com eles, do sentido dado à experiência do adoecimento ao enquadrá-la numa teoria explicativa sobre o mundo.

Reconhecer a si mesmos nesse todo mais amplo muitas vezes leva à ressignificação da doença, reduzindo incertezas e a angústia, trazendo alívio.

É um paradoxo curioso: apresentar a explicação biológica resulta numa eficaz intervenção psicológica.

Embora não possa ser reduzido a uma máquina biológica apenas, não é de se esperar que o cérebro seja imune às forças da teoria da evolução.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.

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