Márcio Coimbra na Crusoé: A arapuca do alinhamento automático
Brasil deveria aprofundar relações onde houver ganhos mensuráveis e manter distância onde houver risco de captura
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Conheço o Cazaquistão há tempo suficiente para observar de perto o funcionamento cotidiano de uma política externa que, há mais de três décadas, recusa o alinhamento automático e transforma vulnerabilidade geográfica em flexibilidade estratégica.
Nursultan Nazarbayev, primeiro presidente após a dissolução da União Soviética, formulou, logo após a independência, o que chamou de política externa multivetorial: relações pragmáticas, previsíveis e mutuamente benéficas com todos os centros de poder relevantes, sem subordinar o interesse nacional a nenhum deles.
O país manteve soberania formal entre Rússia e China, aproximou-se dos EUA, atraiu capital ocidental, chinês e do Golfo, renunciou a um arsenal nuclear para ganhar legitimidade, e hoje se move com relativa agilidade entre a OTSC, a OCX, União Europeia e novos parceiros.
Não é um modelo perfeito nem imune a pressões, porém, demonstrou que potências médias podem reduzir dependência excessiva sem criar isolamento.
O Brasil não é o Cazaquistão. Temos dimensão continental, litoral atlântico, agricultura de escala global, reservas significativas de minerais críticos e uma tradição diplomática própria.
No entanto, compartilhamos a condição de potência média em um sistema que se fragmenta e a tentação recorrente de escolher “ lados ” por afinidade ideológica ou inércia.
Uma futura política de Estado brasileira deve encerrar, de forma definitiva, o alinhamento automático — seja com Washington, Pequim, com o chamado Sul Global ou qualquer outro bloco.
O critério único deve ser o interesse nacional concreto: segurança, prosperidade, capacidade tecnológica e liberdade de ação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.