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Extrema direita alemã ataca Bauhaus, ameaça museu e revive discurso nazista

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Extrema direita alemã ataca Bauhaus, ameaça museu e revive discurso nazista

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Saxônia-Anhalt é o estado da Alemanha que pode eleger, no próximo domingo (6), um governo de extrema direita, algo inédito no pós-guerra. É também onde fica a sede da Fundação Bauhaus , que preserva o legado da escola de arquitetura e design que concebeu, nos anos 1920, boa parte do que hoje se entende por moderno no planeta.

Para a AfD , porém, a Bauhaus, por onde passaram, entre outros, Wassily Kandinski , Marcel Breuer, Mies van der Rohe , Paul Klee e Oskar Schlemmer, é um "caminho errado" que precisa ser corrigido . Não seria suficientemente alemã; apagá-la seria trazer de volta a Alemanha original que o país, por sentimento de culpa em excesso, recusa.

Apagar não é maneira de dizer, está no programa do partido. "Como a cultura na República Federal da Alemanha é de competência dos estados, após uma vitória nas eleições estaduais de 2026, teremos diversas possibilidades de pôr em prática nossas ideias em matéria de política cultural".

Não seria o primeiro cancelamento da escola. Fundada por Walter Gropius em Weimar, em 1919, a instituição teve que se transferir para Dessau, em 1925, e depois para Berlim, em 1932, sob implacável perseguição da legenda nacionalista de então, o partido nazista.

O icônico prédio desenhado por Walter Gropius, com o nome da escola no letreiro vertical, está preservado em Dessau, assim como outras joias modernistas. É uma atração turística em Saxônia-Anhalt, que até criou uma campanha, #moderndenken (pensar moderno), combatida pela AfD com um slogan na mesma moeda, #deustchdenken (pensar alemão).

A escola não sobreviveu ao nazismo. Sua dissolução ocorreu em 1933, pouco depois de Adolf Hitler chegar ao poder. O ditador tinha especial apreço pela arquitetura, mas privilegiou o monumental, o neoclássico, em contraste ao desenho racional, funcional e até mesmo padronizado da Bauhaus —sem falar que a instituição era "comunista", "bolchevique" e "abrigava judeus", argumentos que voltaram a emergir nos tempos atuais.

"Hitler não escapou de inventar as próprias tradições", afirma Victor Próspero, professor da Faculdade de Arquitetura da USP, lembrando do livro de Eric Hobsbawm e Terence Ranger, "A Invenção das Tradições", de 1983. Com algumas adaptações importantes, como prever o caráter performático dos edifícios, usados exaustivamente em filmes e peças de propaganda.

"Ainda assim, muitas obras do período ganharam traços abstracionistas. Afinal, os arquitetos aprenderam a projetar nas décadas anteriores, já tinham isso [o modernismo] incorporado. Uma síntese de tradição e modernidade presente tanto no nazismo quanto no fascismo italiano. Uma ambivalência que se reproduz em regimes totalitários até hoje", diz Próspero, que pesquisa a complexa relação entre arquitetura e ditaduras.

Das muitas políticas reacionárias e nacionalistas defendidas pela AfD, poucas estão sob jurisdição estadual.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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