MP vê ameaça a testemunhas e pede prisão de vice-presidente do Corinthians
O Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, por entender que a demissão de uma testemunha pode prejudicar a investigação.
A defesa do dirigente nega que ele tenha participado do desligamento e classifica o pedido como abusivo.
A informação foi publicada inicialmente pelo "ge" e confirmada pelo UOL .
O pedido, no qual o UOL teve acesso, foi apresentado nesta sexta-feira (16) à 25ª Vara Criminal de São Paulo. Armando é réu no processo que investiga irregularidades envolvendo materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians.
A solicitação ocorreu após Marcelo Munhoes deixar a diretoria de Tecnologia da Informação do clube nesta quinta-feira (15). Ele produziu informações técnicas usadas na investigação e é considerado pelo Ministério Público uma testemunha importante e vítima de coação no processo.
Segundo o MP, a preocupação vai além da demissão de Munhoes: o episódio pode intimidar outros funcionários chamados para depor na audiência marcada para 10 de novembro.
Para a Promotoria, outras testemunhas podem entender a demissão como uma punição por declarações contrárias aos interesses de integrantes da atual administração do Corinthians. Entre os funcionários chamados para depor estão Reginaldo Prados do Nascimento, Francisco V. Godoy Silva e Leandro Jorge Ribeiro.
Munhoes relatou ao Ministério Público que perdeu o acesso aos sistemas do clube, aos ambientes corporativos e às contas de e-mail. Segundo o relato anexado ao processo, o presidente Osmar Stabile disse que o afastamento estava relacionado a questões políticas e pressões internas.
O pedido também cita declarações públicas de Stabile em defesa de Armando e críticas do presidente à atuação da Promotoria. Para o Ministério Público, esses posicionamentos, somados à demissão de Munhoes poucas semanas antes da audiência, podem comprometer a liberdade das testemunhas para depor.
O documento aponta ainda possíveis sinais de que Armando e Stabile teriam atuado juntos para intimidar testemunhas. Essa hipótese, porém, ainda será investigada e não foi comprovada.
Além da prisão preventiva, o Ministério Público pediu, como alternativa, a aplicação de outras restrições já solicitadas à Justiça. A Promotoria também abrirá uma nova investigação para apurar os motivos da demissão e uma possível participação de Armando, Stabile ou terceiros.
Em nota, a defesa de Armando afirma que o Ministério Público usou um conflito político interno do Corinthians para renovar pedidos de restrições que a Justiça já havia negado. Os advogados argumentam que cabe exclusivamente à Presidência do clube nomear e demitir diretores.
A defesa também afirma que não há provas do envolvimento de Armando na demissão. Os advogados destacam que o nome do vice-presidente não aparece no e-mail enviado por Munhoes ao promotor Cássio Roberto Conserino.
Outro argumento da defesa é que havia informações de que Munhoes pretendia disputar a próxima eleição do Corinthians por uma chapa de oposição. Segundo os advogados, o Ministério Público desconsiderou esse contexto político.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.