Quinto Constitucional e o valor de outros olhares sobre a Justiça
A Justiça não se fortalece apenas pela uniformidade de suas decisões, mas também pela diversidade de experiências de quem as constrói.
É essa uma das ideias mais importantes por trás do Quinto Constitucional: permitir que a vivência da Advocacia e do Ministério Público participe da composição dos Tribunais.
Essa convivência de perspectivas amplia o debate jurídico e fortalece a legitimidade das decisões.No Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, essa presença ganha um significado particular.
A Bahia reúne realidades laborais distintas, da capital ao interior, do emprego formal às novas formas de contratação.
Julgar conflitos nesse cenário exige rigor técnico, mas também sensibilidade para compreender o que está em jogo para além dos autos.
Cada processo traz questões jurídicas e, muitas vezes, histórias de sobrevivência, desenvolvimento econômico e busca por reconhecimento.A Advocacia leva ao Tribunal uma experiência singular: a de quem escuta o trabalhador, dialoga com empregadores, acompanha negociações sindicais e enfrenta, no cotidiano, as dificuldades de acesso à Justiça.
Não se trata de substituir a imparcialidade do magistrado por uma visão de parte.
Trata-se de ampliar o repertório institucional de quem tem o dever de decidir com independência.
A pluralidade de trajetórias não enfraquece a jurisdição; pelo contrário, pode torná-la mais atenta à complexidade dos conflitos.Em mais de duas décadas dedicadas ao Direito do Trabalho e ao Direito Sindical, aprendi que um conflito nem sempre se resolve apenas com uma sentença.
O diálogo, a negociação e o respeito às prerrogativas profissionais também fazem parte de uma Justiça efetiva.
Minha atuação na ABAT e em comissões da OAB-BA reforçou essa compreensão.
Ouvir posições divergentes sem renunciar aos princípios é uma exigência diária de quem atua nas relações de trabalho.
É também uma prática que ajuda a construir soluções duradouras.Essa pluralidade prevista na Constituição Federal também nos convida a refletir sobre quem historicamente teve acesso aos espaços de decisão.
A ampliação da representatividade ou da diversidade não dispensa mérito ou compromisso institucional; contribui para que esses valores sejam reconhecidos em uma sociedade heterogênea.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.