Fim da escala 6×1: trabalho seis dias seguidos prejudica a saúde mental para 67% dos empregados
Com 75 votos a favor e um contrário , o Senado aprovou na quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá fim à escala 6×1 para os trabalhadores brasileiros.
Na prática, os funcionários passarão a ter dois dias de descanso remunerados na semana, sem prejuízo ao salário atual.
Defendida pelo governo Lula (PT), a medida acabou encontrando ampla adesão inclusive da oposição, a menos de duas semanas do 2º turno em que o atual presidente enfrenta Flávio Bolsonaro (PL).
O único voto contra a PEC foi dado pelo senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Criticada por setores empresariais, a pauta do fim da escala 6×1 era defendida também por especialistas em saúde, que apontavam impactos físicos e psíquicos causados pela rotina praticamente sem descanso.
Problemas como burnout , estresse, ansiedade e um aumento de acidentes no ambiente de trabalho (atribuíveis à falta de descanso adequado) são citados como algumas das razões em prol da mudança de regras.
Os próprios trabalhadores concordam: em um levantamento divulgado em setembro, mais de 6 em cada 10 brasileiros apontavam uma piora na saúde mental e física que sentiam ser causada pela escala 6×1.
Continua após a publicidade Como a escala 6×1 afeta a saúde dos brasileiros Um dos levantamentos amplos mais recentes sobre o tema foi publicado pelo Instituto Locomotiva no começo do mês passado: ouvindo 1.030 homens e mulheres de todo o país com 18 anos ou mais, a pesquisa realizada em junho se debruçou sobre a forma como os próprios brasileiros percebem os impactos da escala 6×1 em temas como saúde, relações familiares, tempo livre e renda, entre outros.
Na pesquisa, 78% das pessoas consultadas concordaram com a afirmação “é difícil conseguir descansar de verdade trabalhando em escala 6×1″ e outros 71% concordaram que esse regime “dificulta manter hábitos saudáveis “.
E nada menos que 85% dos brasileiros concordam que “muitas pessoas sacrificam saúde e lazer para manter renda”.
Na visão de 81% dos consultados, descansar se tornou “um privilégio que muitos trabalhadores não têm”.
Uma opinião que transcendia as correntes políticas: a pesquisa demonstrou que ela era compartilhada por 89% dos eleitores de esquerda e 76% dos eleitores de direita, geralmente vistos como mais refratários à mudança da escala.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.