Senado aprova fim da escala 6x1 com votos de governo e oposição
Com votos favoráveis do governo e da oposição, o Senado aprovou nesta quarta-feira (14), em primeiro turno, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima para 40 horas semanais, sem diminuição do salário.
A medida foi aprovada com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A proposta garante dois dias de descanso remunerado por semana e prevê uma transição gradual para as novas regras. Como o texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, em maio, e não houve alterações, a proposta segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional.
A 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, o fim da escala 6x1 é visto como uma das principais vitrines eleitorais do governo Lula na busca pela reeleição. Lula começou a defender a medida no fim do ano passado e, em fevereiro de 2026, incluiu a pauta como prioritária na mensagem presidencial ao Congresso.
Ao longo da campanha eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro se opôs ao projeto, que chegou a chamar de "oportunista". No dia anterior à votação, porém, o senador afirmou que votaria a favor do fim da 6x1 após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A mudança de postura foi vista por aliados de Lula como uma tentativa de neutralizar o eventual ganho eleitoral que o petista teria com a vitória. Pesquisas de opinião mostram que sete a cada dez brasileiros são favoráveis à medida. Segundo o Ministério do Trabalho, cerca de 14,8 milhões de trabalhadores formais estão sujeitos à jornada 6x1 e, portanto, serão diretamente beneficiados.
As primeiras cinco horas de sessão foram dedicadas à quinta e última discussão da PEC. Os senadores inscritos utilizaram cerca de dez minutos cada para justificar seus votos. Todos os que discursaram se posicionaram a favor do fim da escala 6x1.
O senador Paulo Paim (PT-RS), conhecido pela atuação em defesa dos direitos trabalhistas, se emocionou ao discursar na tribuna. Já Randolfe Rodrigues (PT-AP) citou países como Finlândia, Austrália e Islândia, que adotam jornadas de trabalho semelhantes, e afirmou que o Brasil agora se junta a esse grupo. Randolfe também destacou a ausência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) na sessão.
Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ) liberou a bancada do partido e ressaltou a importância da mudança de jornada para o trabalhador, mas fez críticas à proposta e afirmou que vai caber a Flávio Bolsonaro "solucionar os problemas" da PEC caso seja eleito presidente. "Como não vencemos a batalha para trazer a proposta do senador Rogério Marinho, vamos aprovar a proposta 5x2", disse.
O senador Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações do governo Jair Bolsonaro, afirmou que votaria a favor da PEC, mas com ressalvas. Em seu discurso, alertou para possíveis impactos econômicos da mudança, como o aumento dos custos para as empresas.
Em discurso na tribuna, Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que os conservadores estão "ao lado dos trabalhadores" e que alguns não puderam estar presentes na sessão porque estão em campanha eleitoral.
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