Quando os filhos saem, a casa também muda
Durante muitos anos, a casa cresce junto com a família.
Ganha quartos, armários, objetos, fotografias, áreas para receber amigos dos filhos e espaços pensados para uma rotina que parece permanente enquanto está sendo vivida.
Até que os filhos crescem, seguem seus próprios caminhos e uma transformação silenciosa acontece: a casa continua do mesmo tamanho, mas a vida dentro dela já não é a mesma.É o chamado ninho vazio, expressão utilizada para descrever a fase posterior à saída dos filhos da casa dos pais.
Para algumas pessoas, a transição pode trazer sentimentos de perda, solidão e necessidade de redefinição de papéis; para outras, representa alívio de responsabilidades, maior liberdade e abertura para novos interesses.
Em muitos casos, as duas sensações convivem.
A casa que guarda a memória de uma etapa que terminou passa, então, a provocar uma pergunta bastante concreta: este imóvel ainda combina com a vida que queremos viver agora?A questão ganha relevância diante das transformações demográficas brasileiras.
O Censo 2022 mostra que a população com 65 anos ou mais chegou a 22,2 milhões de pessoas, ou 10,9% dos brasileiros, um crescimento de 57,4% em apenas 12 anos.
Entre responsáveis por domicílios com 60 anos ou mais, 28,7% vivem em unidades domésticas unipessoais.
É um retrato de uma sociedade que envelhece e, ao mesmo tempo, passa por mudanças profundas na configuração das famílias e das moradias.Essa transformação começa a produzir uma nova lógica de consumo imobiliário.
Depois de décadas em que o imóvel ideal esteve associado à expansão da família — mais quartos, mais área, mais espaço para os filhos —, chega uma etapa em que qualidade deixa de ser necessariamente sinônimo de tamanho.
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Não se trata apenas de morar em menos metros quadrados, mas de fazer com que cada metro quadrado entregue mais qualidade de vida.É o movimento conhecido internacionalmente como downsizing, que está longe de significar perda de padrão.
Uma pesquisa sobre utilização da moradia realizada na Suíça mostrou, por exemplo, que 26% dos entrevistados consideravam sua residência grande demais e que 38% tinham mais de dois cômodos de que já não necessitavam.
No Brasil, segundo o IBGE, 84,4% das pessoas com 70 anos ou mais vivem em imóveis próprios já quitados, herdados ou recebidos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.