SC entra em estado de alerta e El Niño histórico deve trazer chuvas acima da média e tempestades na primavera
Fórum Climático prevê aumento de alagamentos, enxurradas e deslizamentos entre setembro e novembro
Santa Catarina entra na primavera em um cenário de chuva acima da média e maior frequência de tempestades. A previsão para setembro, outubro e novembro foi apresentada nesta sexta-feira (28), durante o 245º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina e da Epagri/Ciram.
A combinação entre a chegada de uma estação naturalmente mais chuvosa e a intensificação do El Niño coloca os próximos meses no centro das atenções. Segundo a Defesa Civil, a primavera será o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno no Estado.
O inverno, que normalmente apresenta volumes menores de chuva em Santa Catarina , já teve comportamento diferente neste ano. Foram registrados períodos com chuva acima da média e maior frequência de tempestades severas.
A tendência é que esse cenário continue a partir de setembro, com aumento na frequência e na intensidade dos sistemas meteorológicos responsáveis por chuvas e temporais.
“É consenso entre os modelos meteorológicos volumes de chuva acima do normal para o trimestre, sendo esperada uma maior frequência de alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, especialmente durante episódios de chuva intensa e persistente”, explica Caio Guerra, meteorologista da Defesa Civil de SC.
Embora a previsão indique chuva acima da média para todo o trimestre, a expectativa é de maior atenção principalmente em outubro e novembro.
Historicamente, a primavera já é uma das épocas com maior ocorrência de fenômenos como vendavais e enxurradas em Santa Catarina. Com a influência do El Niño, a frequência de episódios de chuva intensa pode aumentar ainda mais.
Entre os possíveis impactos estão alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos , especialmente quando houver atuação de sistemas que provoquem chuva intensa e persistente.
A Defesa Civil ressalta que o El Niño, sozinho, não determina a ocorrência de um evento extremo. Os impactos dependem também da atuação de sistemas meteorológicos específicos e podem variar entre as regiões do Estado.
O cenário de chuva também está relacionado ao comportamento do Oceano Pacífico. As águas do Pacífico Equatorial seguem mais quentes que o normal e a previsão é de continuidade do aquecimento nos próximos meses.
Segundo a NOAA, existe 93% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre. As projeções indicam ainda que o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o outono de 2027.
A intensificação já havia sido apontada pela Defesa Civil em agosto. Na ocasião, a NOAA estimava também 69% de probabilidade de o episódio ser o mais intenso desde 1950.
Em setembro, ainda podem ocorrer novas massas de ar frio, características do fim do inverno. Ao longo da primavera, porém, a tendência é de temperaturas dentro ou acima da média.
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